Por gabriela.mattos

Rio - A Light tem 48 horas para restabelecer completamente seus serviços no Rio e Região Metropolitana. O prazo foi dado pela Comissão de Defesa do Consumidor, Codecon, da Alerj. Caso a concessionária não respeite a decisão, o órgão entrará com ação civil pública contra a empresa. Segundo a Light, aproximadamente 4 mil residências ainda estão sem luz. A falta de energia começou na quarta-feira, após forte temporal que deixou um milhão de casas no escuro em toda a cidade.

Segundo o deputado Luiz Martins (PDT), que preside a comissão, a concessionária terá de aumentar seu quadro de funcionários, a eficiência da ouvidoria e sua estrutura. “Temos tido várias reclamações. Nossa vontade é de resolver. Se postergarem, processaremos”, afirmou Martins. Ele frisou que os consumidores que foram lesados pela falta de luz podem fazer denúncias à comissão. “Qualquer prejuízo provocado pela falta de eletricidade pode ser denunciado”, afirma.

O fotógrafo Marcos Samerson sabe bem o que são gastos extras causados por falta de luz. Com serviços a entregar, ele teve que alugar um quarto de motel para poder trabalhar. “Desde terça estou sem luz, trouxe meus computadores para o motel para poder me virar”, conta.

Bairros da Zona Norte foram os mais prejudicados pela chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias João Laet / Agência O Dia

Luciana Fisher também tem sofrido por falta de energia elétrica. Ela preside um centro espírita, em São João de Meriti, e cancelou reuniões e eventos por falta de luz. “Registramos reclamações, mas não deram previsão”, reclama Luciana. “Estamos funcionando à luz de velas”, completa.

Em nota, a Light informou que a equipe de mais de 800 profissionais da empresa continua mobilizada para atender a todos os casos necessários e frisou que só vai atuar onde houver segurança. A concessionária afirmou que na comunidade Borgauto, em Ramos, - que fez protestos durante a semana - não há condição de trabalhar, pois os moradores não estariam deixando a Light atuar.

Praia de manhã e chuva de tarde

Os cariocas foram castigados nesta sexta-feira por mais um forte temporal e a cidade entrou em estado de atenção. Por volta das 18h, rajadas fortes de vento de mais de 66 km/h foram registradas em vários pontos da cidade, como os aeroportos do Galeão e do Santos Dumont.

Bolsões de água também complicaram o tráfego na Avenida Brasil, na altura de Ramos, da cidade Alta e da Penha. Os moradores da Zona Sul, do Centro e da Estrada do Catonho também enfrentaram chuvas e alagamentos.

Para este sábado, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), prevê que o tempo melhore e comece firme. Na final da tarde e durante a noite, pode haver pancadas de chuva isoladas. Estão previstos ventos fracos a moderados. A temperatura deve atingir a mínima de 23°C e a máxima de 37°C.

Já no domingo, o dia também tende a ficar aberto a parcialmente nublado, com possibilidade de chuva. A temperatura deve bater 39°C e ter mínima de 21°C.

Fim de horário de verão divide cariocas

Bom para reforçar a marquinha de biquíni ao fim do dia, ruim para quem sai antes mesmo do sol aparecer. Após 126 dias, o Horário de Verão acaba à meia-noite de hoje quando os brasileiros terão que atrasar em uma hora os relógios.

Em vigor no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, o período ofereceu uma hora a mais de luz natural e uma economia de mais de R$ 7 bilhões ao país, segundo o Ministério das Minas e Energia.
Com a redução da demanda por energia das termoelétricas, o país economizou R$ 162 milhões. A estimativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) era de uma economia ainda maior: R$ 240 milhões.

A funcionária pública Graziella Comunale, de 42 anos, comemora a hora a mais que ganhará hoje. Ela converterá o tempinho adicional em rock and roll e cerveja, no show dos Rolling Stones, no Maracanã. “Ganhei mais um tempinho para curtir os bares da região antes de voltar para a casa”, ressaltou.

Na Zona Sul, moradores vão mudar hábitos, já que não terão o sol como companhia noturna. É o caso da produtora de eventos Anna Monteiro, de 45 anos. Ela conta que se sentia mais segura ao passear com o cachorro após chegar do trabalho no final da tarde. “Agora não vou arriscar ir tão longe”, disse.

Já para a Erica Carneiro, 34 anos, o fim do horário de verão garante alívio nos dias quentes. “Sair à noite quando ainda tem sol é horrível”, diz.

?Com reportagem de Amanda Raiter

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