Fotógrafo do DIA é agredido em enterro de jovem morto no Complexo da Maré

Daniel Castelo Branco levou socos, chutes e tapas. Em janeiro, outro profissional foi empurrado de altura de quatro metros

Por O Dia

Rio - O enterro do jovem Igor Firmino da Silva, 18 anos, morto durante confronto com policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na segunda-feira, terminou em confusão nesta terça-feira, no Cemitério do Caju. O repórter fotográfico do DIA, Daniel Castelo Branco, foi agredido por um grupo de mais de 20 pessoas, quando desempenhava seu trabalho.

Daniel, que tentava fotografar o cortejo, foi cercado e atingido com socos. Ele correu e foi perseguido. Mesmo caído, ainda foi agredido com chutes e tapas. O profissional teve ferimentos na face, foi medicado e passa bem.

Daniel foi obrigado a deletar as fotos que fez do cortejo. “Foram violentos e pela quantidade de pancadas que sofri, o estrago poderia ser pior. Se me pedissem, não teria feito a foto. Preferiram me agredir”, lamentou Daniel, que optou por não registrar o caso.

O DIA repudiou a agressão em nota. “Foi mais um episódio de violência contra os trabalhadores da imprensa no Rio. O jornal repudia a ação, como tem feito diante de todas as ocasiões nas quais grupos, organizados ou não, tentam intimidar repórteres e fotógrafos que cumprem seu dever de levar informações relevantes à sociedade”.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Paula Máiran, as agressões são injustificáveis. “Ele estava cumprindo seu papel na sociedade de levar a informação de um fato relevante. Ao invés de contar com a imprensa como aliada para denúncias, alguns partem para a violência. Desde junho de 2013, há 123 casos envolvendo 107 jornalistas no Rio”, lembrou.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, também condenou. “Não se pode tolerar que comportamentos dessa natureza continuem a se repetir impunemente, enodoando a imagem do país, às vésperas dos Jogos Olímpicos, quando as atenções do mundo começam a se voltar para a cidade do Rio”.

No dia 12 de janeiro, outro fotógrafo do DIA, Márcio Mercante, caiu de uma altura de mais de quatro metros ao ser agredido no Arpoador.

Policiais prestaram depoimento

Igor Firmino morreu com um tiro no peito, durante uma operação da Core no Parque União, no Complexo da Maré, em Bonsucesso. Os policiais envolvidos prestaram depoimento e as armas usadas no tiroteio foram recolhidas. A polícia disse que Igor estava com uma pistola com a numeração raspada e com um radiotransmissor. Ele não tinha antecedentes criminais. Amigos contestam. Eles afirmam que o rapaz trabalhava como entregador em uma farmácia, até o fim do ano passado. Ainda segundo moradores, Igor estava desarmado no momento do confronto com policiais.

O rapaz havia completado 18 anos em setembro do ano passado, e de acordo com agentes da Core, seu irmão já foi apreendido por três vezes em um curto período de seis meses. Um inquérito foi aberto na 21ª DP (Bonsucesso) para esclarecer as circunstâncias da morte de Igor.

Em seu perfil no facebook, Igor costumava publicar fotos com o uniforme da farmácia e ao lado de colegas de trabalho. Nas redes sociais, muitos amigos postaram mensagens lamentando a morte de Igor. “No sistema, só mais um. Pra nós uma grande perca (SIC)”, lamentou jovem.

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