Cariocas mudam hábitos para evitar transtornos das fortes chuvas

Alagamentos, trânsito parado e queda de árvores são alguns problemas causados pelos temporais dos últimos dias

Por O Dia

Rio - Com horário quase marcado, as tempestades que têm caído na cidade no fim de tarde e início da noite motivaram cariocas a mudar de hábitos. Assim como Belém, a capital do Pará, onde tradicionalmente a chuva dita a rotina, o Rio passou a ter seu ritmo guiado pelas águas. Quem pode termina o trabalho mais cedo ou muda horários de compromissos para conseguir chegar em casa antes do temporal.

Após ser surpreendida pelas ruas alagadas na última sexta-feira e ter de esperar as águas baixarem em um bar, a estudante universitária Rafaela Siqueira, de 23 anos, já não marca mais nada para depois das 17h. “Fiquei horas sem poder sair. Trabalho no Maracanã e moro em Madureira, dois lugares críticos quando chove. Não tenho como arriscar”, comentou a jovem.

Cariocas correm para fugir das chuvas torrenciais que têm caído no Rio desde sexta-feira. Quem pode sai mais cedo do trabalho para escaparAndré Mourão / Agência O Dia

Depois de morar quase uma década em Belém, onde o aguaceiro cai todos os dias à tarde, a dona de casa Maria de Lourdes Rabelo Rodrigues, de 64 anos, relembrou a moda paraense e agora só sai fora do horário da chuva. “Fim da tarde, fico em casa. Sair, só antes do temporal. Ainda mais aqui no Rio, que dura muito, diferente de Belém, onde a chuva demorava 30 minutos”, comentou a moradora da Praça da Bandeira.

O taxista Claudemir Tomas dos Santos, de 37 anos, passou a trabalhar com um olho na pista e outro no céu. Na segunda-feira, o taxista levava um passageiro de Botafogo ao Flamengo, quando caiu a chuva e ele ficou ilhado por uma hora e meia. “Nesta terça-feira, vou para casa mais cedo, antes da chuva”, disse ele, no fim da tarde, na Lapa.

No mesmo bairro, a atendente do Bar da Cachaça, Ana Paula Pereira, de 34 anos, têm é de trabalhar mais para atender aos clientes que se refugiavam no local à espera das águas baixarem.

Temporais não darão trégua

A chuva não vai dar trégua por enquanto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os temporais, comuns no verão, ainda vão cair pela cidade, pelo menos, até domingo. O meteorologista Thiago Souza, do Inmet, afirmou que devido ao aquecimento diurno e à disponibilidade de umidade na atmosfera, as pancadas de chuva devem continuar entre o fim da tarde e a noite nos próximos quatro dias. “São pancadas de chuva de curta duração, porém intensas”, explica.

A Fundação Geo-Rio informou que, desde o início das fortes chuvas no Rio, na sexta-feira, recebeu da Defesa Civil seis solicitações de vistorias em construções. Duas delas, nos bairros da Ilha do Governador e de Santa Teresa, foram deslizamentos de encostas, sem registro de feridos.

A Defesa Civil informou que, na noite de segunda-feira, foram 17 chamados. Os locais mais abalados foram a Zona Sul, Centro e Santa Teresa. Segundo o órgão, o acontecimento mais grave foi o desabamento de um muro em Santa Teresa. Houve queda de cinco árvores. Os alagamentos, segundo o Centro de Operações Rio, se concentraram no Centro e na Zona Sul.

Piadinhas com ironia e bom humor nas redes sociais

Em sete dos últimos dez dias, o Rio entrou em estágio de atenção. Os alertas emitidos pelo Centro de Operações da prefeitura, além de preveem chuvas fortes, anunciam transtornos com os quais o carioca já está acostumado há décadas: os alagamentos. O assunto, inclusive, vem sendo tratado com ironia e humor pela população nas redes sociais, tendo em vista a aproximação dos Jogos Olímpicos, que acontecem de 5 a 21 de agosto.

Em uma publicação no Facebook, Moby Dick, a baleia da literatura norte-americana, é vista nadando em pleno Largo do Machado. O autor do post, feito durante o temporal da noite de segunda-feira, brincou: “A Paesfeitura e o DesGoverno do Estado do Rio de Janeiro inauguraram essa noite o Parque Aquático do Largo do Machado.”

Já uma página na rede social dedicada ao bairro vizinho, o Catete, informou sobre um novo serviço de transporte coletivo realizado com barcos para os dias de chuva. Houve ainda quem enxergasse oportunidade para novos negócios. A personagem Kristin Sanders, criada por um internauta, é vista praticando exercícios na alagada. “Tenho ministrado oficinas de stand up paddle a cada alagamento”, ironiza o internauta. Ele ressalta, contudo, que ela só não conseguiu firmar um número fixo de alunos pois “muitos contraem leptospirose ou a zica/dengue/chicungunha interrompendo o fluxo das aulas.”

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