Presidente da Liesa entrega à polícia áudio que revelaria suposta armação

Jorge Castanheira repete que quer punição para Laíla, que denunciou possibilidade de fraude na apuração do Carnaval

Por O Dia

Rio - O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, prestou depoimento nesta terça-feira, na Delegacia Fazendária, da Polícia Civil, no inquérito que investiga suposto esquema para favorecer algumas escolas de samba. Antes de depor, ele disse que o diretor de Carnaval da Beija-Flor, Laíla, autor da denúncia, poderá ser punido.

“Ele é sócio fundador da Liesa, não pode se colocar contra a Liga e nem contra o Carnaval. Nosso departamento jurídico vai analisar o estatuto antes de aplicar a penalidade”, afirma Castanheira, lembrando que a punição pode ser advertência, suspensão ou exclusão dos quadros da Liesa.

Jorge Castanheira (esquerda) chega à Cidade da Polícia onde depôs Alexandre Brum / Agência O Dia

O depoimento de Jorge Castanheira à delegada Renata Araújo durou mais de três horas. Ele entregou à policial cópia da gravação na qual Fabiano Rocha (jurado do quesito bateria do Carnaval 2016 e afastado da função antes da realização do evento) diz que retiraria pontos de algumas escolas de samba.

“Não sei como Laíla conseguiu a gravação, isso a polícia está investigando. Mas dizer que teve armação no Carnaval é um absurdo. Quando a Beija-Flor vence os jurados são bons? Os jurados são os mesmos há 15 anos. Neste tempo a escola de Laíla venceu sete vezes. A Liga fará o que for possível para haver transparência. Vamos, inclusive, divulgar esta semana o mapa de notas”, diz Castanheira.

Castanheira também negou que o suposto esquema teria sido comandado por Sulamita Trzcina, que participou do júri do Carnaval por 28 anos e poderia ser a mulher que teria conversado com Fabiano.

LAÍLA JÁ DEPÔS

“Sulamita é minha amiga, conheço a voz dela. Estão querendo é complicar. Além disso, querem ofuscar a merecida vitória da Mangueira”. Na segunda-feira, o diretor de Carnaval da Beija-Flor, Laíla, prestou depoimento acompanhado de seu advogado, Ubiratan Guedes, mas o que ele disse não foi divulgado. Fabiano Rocha, que não será mais jurado por ter quebrado o sigilo de notas, também foi ouvido pela polícia.

?Reportagem de Marlos Bittencourt

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