Sem receber prestações, estaleiro suspende construção de barca

Embarcações custaram R$ 22,8 milhões cada uma. Catamarãs chineses serão entregues com atraso por causa da crise

Por O Dia

Rio - Não só os catamarãs de 2 mil lugares comprados pelo governo estadual na China para a linha Rio-Niterói serão entregues com atraso por falta de pagamento ao fabricante, como O DIA publicou nesta terça-feira. O estaleiro cearense Inace, responsável pelo fornecimento de duas embarcações menores, ao preço de R$ 22,8 milhões cada, suspendeu a construção da segunda barca porque também não recebeu do estado parcelas do financiamento.

Quem pode ficar a ver navios são os passageiros da Ilha de Paquetá, que receberiam o segundo catamarã cearense, o Angra dos Reis, de 500 lugares, ainda este ano. Procurado nesta terça-feira, o governo não confirmou se a previsão está mantida.

A embarcação Ilha Grande, primeira construída no Ceará, está no Rio e opera na linha de Paquetá desde outubro de 2015. Segundo fonte ligada à direção do estaleiro, este catamarã também está com pagamentos atrasados e apenas cerca de metade da quantia teria sido quitada.

O catamarã é igual ao Ilha Grande%2C já em operação na linha de PaquetáDivulgação

A Secretaria Estadual de Transportes respondeu, por meio de nota, somente que o catamarã Angra dos Reis “encontra-se em fase de produção”, sem esclarecer a razão da suspensão dos compromissos e a previsão de regularização. Representantes do estaleiro Inace, no entanto, afirmam que a construção continua parada porque os repasses seguem irregulares. Oficialmente, não foram informados os valores devidos.

O catamarã Itacoatiara, o terceiro chinês (ao todo foram encomendados sete à China e dois ao Inace) que chegou em novembro ao Rio, com a promessa de atender a linha Praça 15 - Praça Araribóia, em até 60 dias, permanece trancado na estação de Niterói há mais de três meses por falta de depósito ao fabricante Afai. O governo havia apontado, para esse caso, a crise financeira como motivo do débito — também sem indicar prazos para normalizar a situação.

No entanto, em reunião, no início do mês, com moradores da Ilha do Governador, o então secretário de Transportes, Carlos Roberto Osorio, disse que licenças ambientais foram exigidas em um financiamento concedido pelo Banco do Brasil para diversas secretarias do estado, incluindo a de Transportes para compra das nove barcas, e que o problema acarretou o atraso do cronograma de entrega. Os catamarãs cearenses podem reduzir em 20 minutos a viagem para Paquetá.

Últimas de Rio De Janeiro