Toneladas de remédios apreendidas podem ter sido compradas já vencidas

Deputado Paulo Ramos vai protocolar, nesta quarta-feira, pedido de abertura de uma CPI para investigar problema

Por O Dia

Rio - As mil toneladas de medicamentos e materiais hospitalares armazenados incinerados podem ter sido comprados depois de vencidos ou tiveram as datas adulteradas. Eles estavam fora do prazo de validade na Central Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói. A administração da CGA é do consórcio Log Rio.

A denúncia é do deputado estadual Paulo Ramos (Psol), que vai protocolar nesta quarta-feira, na Alerj, pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o problema.Segundo ele, a quantidade de medicamentos jogada fora daria para encher três mil carretas. Tudo deveria ter sido distribuído aos hospitais públicos que estão sem remédios e materiais hospitalares.

“Fiquei sabendo que esses medicamentos já eram adquiridos com validade vencida e tiveram as datas adulteradas. Isso é um absurdo. Esse tipo de material é leve, o que significa que compraram muita coisa. É preciso investigar desde a aquisição até a não distribuição”, disse Ramos.

Fiscalização encontra 300 toneladas de remédios vencidos em depósitoDivulgação

O deputado pretende tratar do assunto nos próximos dias com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, que recebe nesta quarta-feira o presidente da Comissão de Orçamento da, deputado estadual Pedro Fernandes (Solidariedade) para também falar sobre o problema. Na segunda-feira, ele esteve na CGA e constatou 300 toneladas de materiais vencidos. Segundo a revista ‘Veja’, 700 toneladas de remédios e materiais hospitalares já foram incinerados entre 2014 e 2015.

Após a reunião no Ministério Público, Fernandes e o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), que preside a Comissão de Tributação da Alerj, farão uma audiência pública com os secretários estaduais de Fazenda, Julio Bueno, e de Planejamento, Cláudia Uchôa Cavalcanti, para cobrar explicações. Quer saber como o estado está usando os recursos da Saúde. “Entre outras questões, queremos saber porque o contrato com a empresa foi renovado e com redução de 43%. Será que a margem de faturamento era tão grande assim”, questiona o deputado.

A Log Rio vai receber, por ano, R$ 30 milhões para administrar medicamentos do estado. Na audiência, Fernandes pedirá a convocação dos ex-secretários de Saúde do estado, Sergio Cortes, Marcos Esne Muzafir e Felipe Peixoto para explicar as denúncias. “Há suspeitas de material vencido também em um depósito na Pavuna. Vamos investigar”, disse Fernandes que pretende ir ao local nesta quinta-feira.

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