Funcionário do CCBB tira foto de bumbum de PM e vai parar na delegacia

Ele tirou fotos da policial e enviou para grupos de WhatsApp, comentando atributos da mulher. Caso foi registrado na 5ª DP

Por O Dia

Rio - Uma reunião do Conselho Comunitário do Centro do Rio acabou na 5ª DP (Mem de Sá), após um funcionário do Centro Cultura Banco do Brasil (CCBB) fotografar o bumbum de uma policial militar, nesta quarta-feira.

O homem tirou fotos da PM e enviou para grupos de WhatsApp, comentando os atributos da mulher. Ao perceber a invasão do funcionário do CCBB, a policial o conduziu para a delegacia, onde o caso foi registrado.

De acordo com o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, titular da 5ª DP, foi feito o registro de importunação ofensiva ao pudor. O autor, que foi liberado, e a vítima prestaram depoimento e o caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

O Centro Cultural Banco do Brasil disse, através de nota, que está apurando o caso e repudia o comportamento do funcionário. "Tal ocorrência contraria as normas de conduta, o código de ética da instituição e os princípios e valores sob os quais nos relacionamos com nosso público e com a sociedade."

O ato ser registrado como contravenção penal significa um grande equivoco na avaliação da presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, deputada Enfermeira Rejane (PC do B).

Segundo a deputada, o atraso em leis que tratam do machismo e sexismo reforçam uma conduta que faz a sociedade achar normal que um homem fotografe partes íntimas de uma mulher e compartilhe na internet sem a autorização dela. “Temos que debater o assédio, o que para a sociedade não inclui violência, não é assédio”, afirma Enfermeira Rejane, que complementa: “Temos que entender que existem várias formas de assédio”, diz.

Para a coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher, Nudem, da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Arlanza Rebello, a violência que a sargento sofreu é típica de uma sociedade machista. “É uma sociedade que acha normal o homem externar ‘o direito dele’, sem a nossa licença, invadindo nossa intimidade e personalidade”, critica. “A mulher sofre uma dupla violência, ao ser vítima e ao buscar punição, nos fazem sentir culpadas”, aponta.

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