Por bianca.lobianco

Rio - A falha na comunicação entre diferentes setores da Polícia Militar torna ainda mais difícil o controle do combustível usado para abastecer veículos da corporação — como O DIA mostrou ontem, relatório do Tribunal de Contas do Estado aponta que a PM não trabalha com um mecanismo de prevenção a fraudes. O texto também ressalta que em 37% da frota o abastecimento é anotado manualmente em livros, o que facilita o desvio.

Segundo o relatório, “não há, efetivamente, um elo entre a Divisão de Logística e a 4ª Seção do Estado Maior Geral, havendo falha na comunicação entre esses dois setores.”

A Divisão de Logística é responsável por informar a quantidade de combustível que a PM deve adquirir junto à Petrobras Distribuidora, e a 4ª Seção cuida de aspectos relacionados ao cadastro, à quantidade e à situação operacional de cada viatura. A falta de diálogo entre esses setores gera “informações confusas e de baixa confiabilidade”, de acordo com o TCE.

Outro ponto essencial abordado pelo documento é a informatização do controle de combustível por meio de chips instalados nos carros. Sem o sistema eletrônico não é possível comprovar que a viatura estava de fato presente no posto no momento do abastecimento e tampouco a quantidade de combustível colocada no veículo.

Informações como a data e a hora do abastecimento e a placa da viatura também passam batidas diante da falta do chip. Hoje, 37% da frota (2.852 dos 7.643 veículos) não possuem o sistema eletrônico. Isso equivale a cerca de 1,4 milhão de litros por mês.

O relatório do TCE dá exemplo de como a anotação manual facilita a fraude: “Uma viatura pode abastecer diversas vezes em diferentes postos, em um curto intervalo de tempo, sem que a Diretoria de Logística possa detectar tal comportamento”. 

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