Por thiago.antunes

Rio - Carioca de alma, baiano de coração. Um dos jornalistas mais brilhantes de sua geração, o diretor-executivo do jornal ‘Correio’, da Bahia, Sérgio Costa morreu domingo, aos 55 anos, de infarto, em sua casa, em Salvador (BA). Mestre na arte de tornar simples o complicado, Sérgio era um sujeito incomparável, mas sobretudo, um homem generoso que sabia como ninguém ficar por trás dos holofotes para que sua equipe brilhasse. Nesta terça-feira, para imensa tristeza de amigos e familiares, ele será cremado, às 17h45, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

Em 2009, escolheu Salvador para ser feliz na companhia da mulher, a jornalista Rachel Vita, e da filha Júlia, de 9 anos. Tinha mais dois filhos, do primeiro casamento. Na Baía de Todos os Santos, foi o líder decisivo na recuperação do ‘Correio’.

Mas foi no Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte da vida, que colecionou os mais importantes prêmios nacionais e estrangeiros, em 34 anos de carreira. Durante 11 anos — de 1991 a 2002 — foi editor-chefe do DIA. Sob sua batuta, o jornal conquistou 58 premiações, sendo nove ‘Essos’ de Jornalismo e 14 prêmios da Society for News Design, pela edição de capas. “Era um admirador do design e adorava fazer capas e páginas ousadas”, recorda o diretor de Arte do DIA, André Hippertt.

Sergio Costa era diretor-executivo do jornal CorreioEvandro Veiga / Correio

Em 2001, o jornal venceu o ‘Awards of Excellence de Criação Gráfica, da Society for News Design (SND), pela capa Basta!, cobrando o fim da violência e da impunidade no Brasil. Sérgio também passou por veículos como Folha de São Paulo, onde comandou a sucursal do Rio, pelas revistas ‘Manchete’ e ‘Ele e Ela’, da Bloch Editores, além da assessoria de imprensa da ONU em Nova Iorque.

O prefeito de Salvador, ACM Neto, lamentou a morte do jornalista. “Um grande profissional, que veio para a Bahia e construiu um novo conceito de jornal que hoje é referência em todo o País. Além da competência e talento, era, antes de tudo, uma pessoa que agregava, que fazia amigos”, disse.

Aziz Filho, diretor de Redação do DIA, destacou o profissionalismo do jornalista. “As intensas homenagens que Sérgio Costa recebe das redações dão ideia da dimensão do respeito que ele conquistou. Foi um dos mais competentes jornalistas do país, importantíssimo nas conquistas do DIA, decisivo na história do Correio, um mestre da criatividade. Era gentil, divertido, generoso, e deixa em todos nós um imenso sentimento de perda”, afirmou. Para o premiado jornalista João Antônio Barros, Sérgio foi um grande parceiro. “ Nunca apareceu nos créditos dos prêmios. Era invisível para a banca examinadora dos trabalhos, mas sua contribuição era perceptível logo de cara”, diz.

Entre os 100 colaboradores do ‘Correio’, o editor de Inovação, Juan Torres, lembrou do lado rubro-negro do amigo. “O urubu flamenguista que ele mantinha sobre sua mesa, amanheceu sozinho ontem. Vai aprender o que é saudade”, disse.

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