Por bianca.lobianco

Rio - Mistura de jogo de azar com jogo de empurra. Assim pode ser definida a saga que durou mais de 12 horas para a equipe de operação da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar finalizar o registro de uma ocorrência em Duque de Caxias.

A história teve início por volta das 22h de sexta-feira, após dois bingos serem ‘estourados’ no Centro desta cidade da Baixada Fluminense. Foram detidas 28 pessoas (o dono de um dos estabelecimentos, três funcionários e 24 jogadores), 56 máquinas caça-níquel e R$ 7.998,05 em espécie.

De acordo com policiais envolvidos na operação, o drama para efetuar o registro começou quando chegaram à 62ª DP (Imbariê) — central de flagrantes de Duque de Caxias após às 20h e nos fins de semana — e receberam a informação de que o caso deveria ser levado para a 59ª DP (Centro de Duque de Caxias). Chegando lá, não havia delegado por conta do horário (após 20h), mas um inspetor fez a abertura do registro e a perícia foi ao local, um sobrado e uma loja sem nenhum tipo de identificação.

Após as máquinas serem periciadas, constatou-se que as mesmas, produzidas em Taiwan, China, foram montadas na Zona Franca de Manaus, o que inviabiliza a condução do caso para a Polícia Federal, já que descaracteriza que o produto seja proveniente de contrabando. Ainda assim, de acordo com a equipe da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, a 59ª DP se recusou a concluir o registro.

Diante do impasse, o plantão judiciário, que foi acionado pelo telefone já na madrugada de sábado, determinou que o registro deveria ser feito na 62ª DP, a primeira delegacia procurada pelos policiais que tinham ‘estourado’ os bingos e que é a central de flagrantes do município a partir das 20h e nos fins de semana.

Só que, como até as 6h da manhã de sábado nada havia sido resolvido, a equipe da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar optou por liberar os jogadores sem serem ouvidos, já que estavam privados de alimentação e eram, em sua maioria, idosos. Durante todo esse processo, os detidos se deslocaram em um ônibus da PM.

O fato é que o registro da ocorrência que deveria ter sido feito às 22h de sexta só foi concluído às 10h30 de sábado, ou seja, mais de 12 horas depois do início dessa verdadeira novela.

Na ocasião, o PM Alisson Fabiano de Oliveira — dono de um dos estabelecimentos — e três funcionários foram ouvidos e liberados em seguida. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, “o responsável pelo estabelecimento foi autuado por jogo de azar. Ele assinou termo circunstanciado, se comprometendo a comparecer em juízo. O caso foi encaminhado ao Jecrim”.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou ainda que a denúncia da demora em registrar o caso está sendo investigada. “Por determinação da Chefia de Polícia, a Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) instaurou procedimento para apurar o fato”, diz a nota.

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