O sufoco diário da mulher brasileira

No Dia Internacional da Mulher, o DIA celebra a coragem feminina com a história de Waneza e Malu

Por O Dia

Rio - Todas as noites, Waneza Carmo Coimbra, 47 anos, chora. Coisa de mulher? Ela é mãe da Maria Luísa, a Malu, de 12 anos, que tem Síndrome de Rett, uma doença degenerativa. A menina não anda e não fala, mas sorri, especialmente quando ouve música. Suas prediletas são a ‘Galinha Pintadinha’ e ‘Um lindo Arco Íris’, da Xuxa.

Waneza não chora porque a filha tem uma enfermidade. Este problema está superado pela dedicada mãe. As lágrimas escorrem porque ela não pode proteger a filha da humilhação que enfrentam todos os dias, mesmo em coisas corriqueiras.

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Dia da Malu e da Waneza. Mas, apesar de um certo tom festivo da data, não é dia de comemoração. É dia de médico para Malu. Elas moram em Bangu, na Zona Oeste, onde não tem unidade de saúde que possa tratar da Malu. Mãe e filha dependem de dois ônibus para chegar ao Hospital da Lagoa, na Zona Sul. Vão na véspera dormir no Centro para chegar cedo à unidade.

Contam que muitos motoristas e passageiros são legais com elas. Dão aquela força para colocar a cadeira de rodas no coletivo. Mas, nem sempre é isso que acontece. “Já teve casos de eu ficar com ela na chuva, parada, porque ninguém quis descer para ajudar a entrar com a cadeira de rodas. Não queriam se molhar. ‘Espera o outro (ônibus)’, é uma das frases que mais ouço”, conta Waneza. Ela sofre muito com a falta de solidariedade, mas se considera feliz com a filha, seu tesouro. Coisa de mulher.

Waneza Coimbra e Malu%3A mãe e filha se desdobram para receber atendimento médico na Zona Sul do RioMaíra Coelho / Agência O Dia

Na data desta terça-feira, também não se tem o que comemorar em relação à violência contra a mulher. Uma é assassinada a cada 90 minutos no Brasil. Uma em cada três mulheres sofre violência de algum homem. Enfrentam preconceito no trabalho, escola, bairro, em casa.

O dia dedicado às mulheres foi instituído pela ONU, em 1975, em memória às tecelãs de Nova Iorque, que se rebelaram contra as condições de trabalho, em 1857. As operárias foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 morreram. Hoje é dia de lutar contra a indelicadeza. Coisa que Malu e Waneza fazem todos os dias.

Boas novas

Pesquisa realizada pelo movimento Rio Como Vamos traz boas novidades sobre o cotidiano feminino. De acordo com o estudo, em 2015 foram registrados 18.362 casos de violência contra mulher no Rio de Janeiro. Significa 15% a menos do que no ano anterior.

“Houve redução em todos os tipos de violência contra a mulher. Precisamos continuar agindo para que esses números sejam menores em 2016”, declarou Thereza Lobo, coordenadora do movimento Rio Como Vamos. “Torcemos para que chegue o dia em que não tenhamos mais esse indicador. A mulher tem que ser respeitada”.

O Brasil ainda ocupa o quinto lugar no ranking listado pela ONU(Organização das Nações Unidas)quando o assunto é homicídio de mulheres. Porém a batalha não é só contra a violência. Estudos apontam que mulheres recebem 24% menos que os homens para realizar o mesmo trabalho.

Programação: homenagens por toda parte

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Rio criou uma programação especial para celebrar as conquistas femininas. Nesta terça-feira, serão inauguradas as Casas da Mulher Carioca de Madureira e Realengo. As instiuições são centros de cidadania com serviços de ampliação do acesso das mulheres ao trabalho, à cultura e à saude. Nesta quarta-feira, acontece também o Prêmio Nise da Silveira, no Teatro Carlos Gomes, no Centro.

Já a SuperVia promove uma ação de conscientização sobre o vagão feminino. Agentes vão distribuir folhetos para orientar os homens que estiverem nos vagões de uso exclusivo.

Já em Queimados a data da mulher será lembrada com muita diversão, atividades físicas e serviços gratuitos.Haverá aulão gratuito de Zumba e Dance Mix na Vila Olímpica da cidade.

Em Volta Redonda, a festa será da beleza. As mulheres vão ganhar cortes e tintura de cabelo no Centro de Referência à Assistência Social (CRAS), do Verde Vale. 

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