Mulheres da Providência festejam aos pés do Cristo Redentor

Dia foi marcado por vitória e lutas contra violência. Projeto quer descriminalizar topless

Por O Dia

Rio - O Dia Internacional da Mulher foi marcado por festa, luta e novas conquistas. No Rio, 20 moradoras do Morro da Providência recebeu de presente de PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade um passeio ao Morro do Corcovado. Foi a primeira vez de Fátima Silva Souza, 58 anos, aos pés do Cristo Redentor. “Não temos dinheiro. Essa oportunidade de conhecer esse pedacinho do céu foi mais do que um presente. Foi uma graça”, disse dona Fátima, que também ganhou flores dos policiais.

A data serviu ainda para ações de enfrentamento à violência de gênero. A Prefeitura de Duque de Caxias aproveitou o dia para o lançamento da Patrulha Maria da Penha, órgão da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Políticas de Segurança que se compromete a acompanhar e fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência às vítimas de violência doméstica, por ordem do Judiciário.

Outra vitória foi a regulamentação da lei federal que garante cirurgia plástica reparadora na rede pública de saúde a mulheres vítimas de violência. A partir de agora, mulheres com partes do corpo mutiladas ou fraturadas já podem utilizar o registro de suas denúncias pelo Disque 180 para solicitar a operação em qualquer unidade do SUS.

Policiais da UPP Providência ainda ofereceram flores às moradorasAlexandre Brum / Agência O Dia

Na Assembleia Legislativa (Alerj), o deputado Wanderson Nogueira (PSB-RJ) apresentou projeto que descriminaliza o topless no estado. “É um pequeno passo para trazer mais clareza ao debate sobre a igualdade de gêneros. Hoje, uma mulher que é vista sem cobrir a parte superior do corpo em público pode ser presa, o que não acontece com um homem”, afirma.

Já a OAB-RJ aderiu à campanha ‘ElesPorElas’, iniciativa da ONU Mulheres que convoca os homens a lutarem contra o machismo — mais de metade dos 120 mil advogados do estado são mulheres.
Até mesmo as mulheres marginalizadas puderam comemorar. Na Vila Mimosa, a festa teve bolo e refrigerante. Consultora de uma indústria de cosméticos, Lidiane Santos, 29, deu um trato na pele das meninas. “Vim aumentar um pouco mais a estima delas”, justificou Lidiane, que aproveitou para recrutar algumas garotas para se tornarem vendedoras da marca.

A crise também bateu à porta do local. “Todo ano a gente faz homenagem. Dessa vez, infelizmente, não tivemos dinheiro para comprar as flores. Mas é uma forma de lembrar que hoje é dia de todas as mulheres do mundo, sem discriminação”, explicou a assistente social Cleide Almeida, organizadora da festa.

Mulher branca denuncia mais

Branca, escolarizada e independente. Esse é o perfil das mulheres que denunciam agressões no Rio, aponta a Defensoria Pública do Estado. As estatísticas se baseiam nos 940 atendimentos realizados em 2015 pelo Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher Vítima de Violência (Nudem).

Mais da metade (53%) das agressões relatadas foram contra brancas, 32% contra pardas e 14%, negras. Além disso, 66% das denunciantes não dependem financeiramente dos agressores e 14% são dependentes. A maioria (32%) tem Ensino Médio. “São mulheres que têm informação e condições de procurar ajuda”, analisa Arlanza Rebello, coordenadora do Nudem.

Já o ‘Mapa da Violência 2015’, que tem apoio do governo federal, revelou que quase o dobro de negras em relação às brancas são assassinadas no Rio. “As políticas públicas estão mais voltadas para a mulher branca”, constata o sociólogo Julio Jacobo, que chefiou o estudo.

Reportagem da estagiária Daniele Bacelar

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