Por gabriela.mattos

Rio - A tempestade que desabou na noite de sábado e deixou cinco mortos e um rastro de destruição ainda nesta segunda-feira causava transtornos em diversos locais da cidade. Comerciantes das zonas Norte, Sul e Centro começaram a semana com uma tarefa extra: limpar a lama e o estrago causado pelas chuvas. Em muitos casos, mercadorias foram perdidas.

A comerciante Margareth Carião, 36 anos, é proprietária de loja na Praça da Bandeira, um dos locais mais afetados pelos alagamentos. “Meu prejuízo foi de mais de 70% das mercadorias. O nível da água chegou a mais de um metro, estou limpando a loja desde domingo. Também perdi documentos e notas fiscais”, disse. 

Um edifício-garagem de 15 andares da empresa Estapar, na Rua dos Inválidos, no Centro, estava fechado desde sábado. E os clientes, que pagam R$ 400 por mês, impedidos de pegarem seus carros. Um funcionário disse que a empresa pagaria táxi para os proprietários. Nesta segunda-feira, porém, a professora Aparecida Prazeres, cujo carro estava no prédio, negou que tenha sido atendida.

Na comunidade Chácara do Céu%2C no Alto Leblon%2C agentes da Defesa Civil trabalhavam na área onde a enxurrada derrubou uma casa e matou doisEstefan Radovicz / Agência O Dia

“Moro no Centro e dou aula à noite em São João do Meriti. Como vou para lá? São R$ 240 ida e volta de táxi. Falei com a empresa para alugar um carro para mim, mas não me deram uma resposta convincente. ‘Alugue e traga a nota que a gente vê...’, foi o que disseram", esbravejou.

A Defesa Civil do Município foi acionada para 46 deslizamentos de barreiras em 24 horas, de 18h do sábado até as 18h de domingo. O total de chamados no período foi de 162. Segundo o órgão, 32 imóveis precisaram ser interditados. Na comunidade Chacara do Céu, agentes da defesa Civil retiravam ontem escombros no local onde a enxurrada matou dois moradores.

Já a Comlurb informou que removeu 21 árvores que caíram devido ao temporal. Na Rua Ubaldino do Amaral, no Centro, no fim da manhã desta segunda-feira, ainda havia uma árvore caída sobre um carro do Ministério da Saúde, interrompendo o trânsito na via.

Na região da Lapa, uma agência bancária da Rua Mem de Sá tinha ainda tinha ontem um aviso na porta de que os caixas eletrônicos estavam inoperantes por causa do alagamento do fim de semana.

A Comlurb acrescentou que foram removidos cerca de 3.600 toneladas de resíduos durante todo o domingo, 32% a mais do que o normal. A companhia mobilizou 1.015 garis e 65 caminhões basculantes para a operação de limpeza.

Moradores reclamam de acúmulo de lixo nos morros

Familiares e vizinhos de dois moradores da comunidade Chácara do Céu, no Leblon, mortos no temporal de sábado, reclamaram nesta segunda-feira da falta de limpeza dos canais de escoamento de água e das pessoas que jogam lixo nas encostas. Francisco Barbosa, 42, tentava desobstruir o escoamento da água acumulada no muro que separava o Parque Dois Irmãos das casas, quando a construção caiu sobre ele. Já Luciano Modesto, 37, foi arrastado pela enxurrada ao tentar ajudar o amigo.

“O poder público é omisso na limpeza, mas os moradores jogam entulho nas encostas”, lamenta Fátima Lima, 56, tia de Luciano. Francisco e Luciano foram enterrados nesta segunda-feira nos cemitérios do Caju e São João Batista, respectivamente, chamados de heróis. A Comlurb e a Secretaria de Conservação informaram que fazem a limpeza no local e nas galerias de águas pluviais.

Morreram também devido às enchentes Carlos Silva, de 58 anos, na Rocinha, Luiz Carlos de França Cancio, de 57, em Rocha Miranda, e Edson Conceição, de 39, no Passeio Público, no Centro.

?Reportagem de Gustavo Ribeiro e Marlos Bittencourt, com a contribuição das estagiárias Carolina Moura e Julianna Prado

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