Temporal causa desabamento de casa em comunidade da Zona Sul

Forte chuva deixou vias alagadas e com bolsões d'água. Em Niterói, houve ainda um deslizamento de terra

Por O Dia

Rio - Após a forte chuva que inundou a cidade, na tarde desta quarta-feira, uma casa desabou e provocou a queda do segundo andar de uma outra residência, no Morro da Babilônia, no Leme, na Zona Sul. Outras quatro construções foram interditadas pela Defesa Civil.

Casa desabou no Morro da Babilônia%2C no Leme%2C na Zona Sul%2C na tarde desta quarta-feiraDeborah Martins / Agência O DIA

Morador já 47 anos da comunidade e dono do domicílio atingido, o pedreiro Sergio Barbosa contou que a casa que caiu foi desocupada pela prefeitura desde 2010 por estar em local de risco. No momento do acidente, ele estava no primeiro andar da sua residência e ninguém ficou ferido.

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Antes do desabamento, a sirene de alerta chegou a tocar na comunidade. A Defesa Civil foi ao local e orientou que Sergio não retorne à residência, que ainda corre o risco de cair totalmente. Presidente da Associação de Moradores da Babilônia, André Constantine se mostrou indignado com o acidente.

"A sirene é apenas um paliativo. As pessoas precisam de uma intervenção de fato e a prefeitura deve terminar o trabalho que começou na comunidade", afirmou.

Segundo andar de uma residência foi atingido por uma casa que caiu%2C nesta quarta-feira%2C no Morro da BabilôniaDeborah Martins / Agência O DIA

Chuva causa estragos na cidade

Segundo o Centro de Operações, o Município do Rio entrou em Estágio de Atenção a partir de 13h05. Esse é o segundo nível em uma escala de três e significa a possibilidade de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas. No último fim de semana, a cidade do Rio foi atingida por um temporal e cinco pessoas terminaram mortas.

Além do Morro da Babilônia, a sirene da Defesa Civil também tocou em outras três comunidades: Ladeira dos Tabajaras, Chapéu Mangueira, na Zona Sul, e Sítio Pai João, na Zona Oeste. Houve ainda um deslizamento de terra na Estrada General Eurico Gaspar Dutra, em Jurujuba, em Niterói, como flagrou um leitor por meio do Twitter do O DIA 24 horas. Em Santa Teresa, uma pedra caiu na Rua Prefeito João Felipe.

Pedra caiu em rua de Santa Teresa nesta quarta-feiraDiogo Tirado / Agência O Dia

O temporal provocou também alagamentos e muitos bolsões d'água. De acordo com o Centro de Operações, os locais que mais registraram chuva nesta quarta-feira, entre 15h e 17h, foram Urca (52,8mm), Jardim Botânico (37,8mm) e Anchieta (37,4mm).

Por meio do WhatsApp O DIA (98762-8248), leitores registraram as enchentes na cidade, como em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, na Zona Norte, e na Rua Mem de Sá, na Lapa, também houve alagamentos.

A forte chuva que atingiu a cidade nesta quarta-feira pegou muitos cariocas desprevenidos. Com ruas alagadas%2C os motoristas ainda tiveram que enfrentar trânsito intensoFoto%3A André Mourão / Agência O Dia

A chuva durou menos de uma hora, mas cariocas e muitas crianças, que saíam da escola, entraram a noite tentando chegar em casa. Bairros da Zona Sul foram os mais afetados. Na Baixada, em Xerém, Duque de Caxias, choveu 66 milímetros e em Magé, 102 mm. Em Copacabana, foram 57 mm. A média do mês todo na capital é 190 mm. Sirenes de alerta soaram em quatro favelas.

Sem visibilidade, o Aeroporto Santos Dumont fechou, cancelando 16 voos. As estações do BRT foram paralisadas. Segundo o Climatempo, há previsão de chuva para esta quarta-feira e esta quinta-feira. O tempo só melhora sábado. “Não serão na mesma intensidade, mas será forte”, diz o meteorologista Marcelo Pinheiro.

Já na Zona Oeste e no Centro muitos se abrigaram em bares e estações do Metrô. Para sair da Rua dos Inválidos e buscar o carro na Rua do Rezende, na Lapa, a argentina Lucila Cooper, 44 anos, pagou R$ 6 para pegar carona na caçamba de bicicleta que transporta sacos de gelo. “Era a única maneira para não ficar ilhada”, reclamou.

Em Santa Teresa, uma pedra caiu na Rua Prefeito João Felipe, mas ninguém se feriu. A chuva transformou o Morro da Urca em cachoeira e invadiu agência bancária, deixando funcionários em pânico e presos no segundo andar. Na Zona Sul, ruas viraram lagoas. Na Figueiredo Magalhães, em Copacabana, a água atingiu quase o teto dos carros. Um bolsão interditou a Rua do Catete. Houve longos congestionamentos na Linha Amarela e na Avenida Brasil.

Comerciantes fecharam as portas

A chuva também afetou diversas cidades da Baixada, como Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Mesquita. Em Mesquita, na Rua Ceará, esquina com a Sergipe, bueiros transbordaram, deixando a rua completamente inundada. Cidade vizinha, Nova Iguaçu, também sofreu.

A estação de trem da Supervia ficou alagada. Em alguns bairros, comerciantes evitaram abrir suas lojas. No sábado, cinco pessoas morreram em diferentes pontos do Rio e milhares de pessoas ficaram desalojadas em um rastro de destruição, principalmente na Região dos Lagos.

Com reportagem da estagiária Deborah Martins

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