Jovem transexual acusa hospital estadual de preconceito

Segundo Kauana Vitória da Silva, de 22 anos, os profissionais não queriam escrever seu nome social no prontuário

Por gabriela.mattos

Transexual denuncia hospital estadual por preconceito e omissãoReprodução Facebook

Rio - Uma transexual acusou o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, de omissão e preconceito. Kauana Vitória da Silva, de 22 anos, contou que os profissionais da unidade se recusavam a chamá-la pelo nome social e escreveram o seu nome de batismo na ficha médica, que é Genivaldo Junior da Silva. Além disso, ela disse que recebeu alta antes da cura dos sintomas. A jovem destacou ainda que registrou o caso na 60ª DP (Campos Elíseos).

Com muitas dores nos seios e febre, Kauana chegou ao hospital na última quarta-feira, por volta das 23h30, desconfiada que sua prótese estava infeccionada.

Depois, ela foi encaminhada para a emergência, com o diagnóstico de mastite, doença que inflama o tecido mamário. No entanto, a jovem afirmou que sofreu diversos transtornos durante os procedimentos.

"Logo de início, percebi que não colocaram o meu nome social na ficha por puro descaso. Eles disseram que não poderiam colocar e ainda queriam me incluir na mesma sala que homens. Passei por vários constrangimentos", lembrou Kauana que, depois de um esforço, disse que conseguiu ser internada na ala feminina.

Após o diagnóstico, os médicos quiseram interná-la para uma cirurgia e ela precisou fazer jejum. O marido de Kauana, Lucas Souza dos Santos, de 19 anos, acrescentou ainda que os profissionais pediram para que ele levasse objetos de higiene pessoal, como toalhas e escova de dente, já que ela ficaria para ser operada.

Hospital não registra nome social de paciente e mantém nome de batismoWhatsApp O DIA

Mas, na última sexta-feira, o profissional do plantão teria desistido de fazer o procedimento. No último sábado, ela recebeu alta. "Tentei dizer que não estava boa, mas praticamente me colocaram para fora do hospital. Continuo com dores e febre", ressaltou. "Já me derão um antibiótico para tratar a inflamação, mas não melhora nada", afirmou.

Agora, Kauana não sabe para onde vai recorrer. A jovem afirma ter medo de voltar para o mesmo hospital. Já o seu marido lamentou não poder pagar uma clínica particular para fazer a operação.

A direção do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes informou que a paciente deu entrada no setor de pronto-atendimento da unidade às 5h45 da última quinta-feira, com queixas de febre e dor. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, ela foi encaminhada diretamente para enfermaria feminina após a admissão no setor de emergência do hospital, às 10h54.

A secretaria afirmou ainda que a paciente foi submetida a um tratamento venoso com antibióticos para combater uma infecção e recebeu alta no último sábado, após o resultado dos exames apontarem um quadro normal, já sem sinais inflamatórios, com pressão normal e sem febre. Além disso, a direção da unidade reforçou que no prontuário da paciente constam tanto seu nome social quanto o nome civil.

A direção esclareceu que o quadro da jovem não indicava a necessidade de uma cirurgia de emergência/urgência. Nesses casos, a unidade explicou que a paciente é tratada para infecção e orientada a buscar o médico que colocou a prótese, para avaliação do implante, o que teria sido explicado à Kauana Vitória.

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