Ambulantes vendem produtos nos acessos e nas estações entre a Pavuna e a Central

De acordo com o Metrô Rio, os ambulantes não podem vender produtos e, ao serem flagrados, são convidados a se retirar das estações

Por O Dia

Produtos são guardados em mochilas e oferecidos aos passageirosDiego Valdevino / Agência O Dia

Rio - ‘Estou desempregado e quem aqui pode comprar um chocolate para ajudar o camelô?” e “Lá fora você paga R$ 3 e aqui na minha mão é R$ 1”. Quem nunca ouviu estes gritos na ida e vinda do trabalho? Antes restritos aos ônibus e trens da SuperVia, os vendedores ambulantes, agora, atuam com mais frequência nos vagões do metrô, principalmente na Linha 2, entre as estações da Pavuna e Cidade Nova, onde há menos fiscalização.

Nos vagões refrigerados o que se vê é uma típica feira livre: chocolate, barra de cereal, bala, biscoito, amendoim, carregador de celular, barbeador elétrico e máquina de cortar cabelo. 

Para fugir da vigilância dos seguranças do metrô, ambulantes adotam várias táticas. Eles escondem mercadorias em mochilas e bolsas de feira para não chamar atenção. Alguns preferem trabalhar em dupla: enquanto um oferece a mercadoria, outro observa a movimentação de seguranças que, na maioria das vezes, são alertados da Central de Monitoramento, já que nos vagões há câmeras de segurança.

Quando avistam um agente, jogam rapidamente os produtos dentro da bolsa. Ágeis, ficam com poucos itens nas mãos e somem no meio dos passageiros. Ao serem avistados por seguranças, são retirados dos vagões. De acordo com o Metrô Rio, os ambulantes não podem vender produtos e, ao serem flagrados, são convidados a se retirar das estações. Segundo a concessionária, as mercadorias não são apreendidas.

Embora tentem passar despercebidos, alguns acabam se expondo. Um ambulante tem conquistado freguesia, faturando com a venda de balas. Com uma caixa de som presa à cintura e tocando batidas de funk, ele canta e atrai clientes: “Se a vida está amarga, vamos adoçar a vida, é um real o pacote da balinha. É só colocar a mão no bolso e puxar a moedinha”, diz.

E para passar o tempo na viagem — 50 minutos da Pavuna à Central — , os passageiros se tornam consumidores diários. “Já comprei chocolate, barra de cereal, bala, carregador de celular e até máquina elétrica de barbear para meu marido. O mercado vem até nós. O tempo passa rápido e temos uma distração. Só incomoda um pouco o barulho. É uma situação inusitada vê-los no Metrô”, afirmou a secretária Ana Lúcia Dias, de 32 anos.

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