Operação visa prender traficantes que atuam no Rio e em outros estados

Pelo menos 40 pessoas já foram presas na ação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público

Por O Dia

Rio - Uma grande operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e da Polícia Civil está sendo realizada nesta quinta-feira com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em tráfico de drogas. Os criminosos atuam nos municípios de Barra Mansa, Resende, Itatiaia, Porto Real, Rio Claro, Angra dos Reis e Volta Redonda, além dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A ação visa cumprir 59 mandados de prisão e 62 de busca e apreensão.

Os presos na Operação Éden estão sendo levados para presídios no Rio de Janeiro%2C onde aguardarão o julgamentoDivulgação / Fernando Pedrosa / Foco Regional

Pelo menos 40 pessoas ligadas à quadrilha já foram presas até o momento, entre elas a mulher de Denilson Benaque Cortat, conhecido como Carvoeiro, que está preso desde o ano passado. Fernanda Damiana Páscoa, de 36 anos, de acordo com a Polícia Civil, seria a número dois do grupo.

De acordo com as investigações, o núcleo da quadrilha fica em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Os traficantes atuavam em conjunto, obtendo as drogas e manipulando o material numa refinaria do tráfico, localizada em Pindamonhangaba (SP). Em seguida, a droga era enviada para os municípios da Região Sul Fluminense, onde o traficante Carvoeiro, mesmo cumprindo pena no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, é o responsável pela movimentação, distribuição e venda de seus entorpecentes.

Parte da droga também servia para suprir a célula da quadrilha sediada na cidade de Bocaina de Minas (MG). Por sua condição geográfica favorável, localizada próximo à tríplice divisa, o município era usado como ponto de partida para abastecer outros traficantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O outro grande núcleo de fornecedores atuava em Mato Grosso do Sul e tinha como principal operador Pedro Russian. As investigações apontam que, juntamente com outros traficantes, Pedro trabalhava desde a colheita até a venda dos entorpecentes, incluindo o transporte para outros estados realizado em veículos “clonados”, com documentos falsos.

A ação desta quinta, denominada Éden, é um desdobramento da Operação Adrien realizada em abril do ano passado, onde foi cumprida 26 mandados de prisão. Ao longo das investigações, diversas prisões foram efetuadas, bem como a apreensão de aproximadamente 65 quilos de material entorpecente e vasta quantidade de material utilizado no preparo da droga.

Grupo teria diversos membros de uma só família

A quadrilha que a polícia acredita ter sido desmontada definitivamente ontem, já vinha sendo investigada desde 2011. De lá pra cá, além de apreensões de drogas e prisões de dezenas de pessoas, o que mais chamou a atenção foi a quantidade de integrantes de uma mesma família que atuavam juntos. O grupo chegou a ser apelidado de “Família Buscapé”.

Além de Fernanda Damiana Páscoa, e o marido, Denilson Benaque Cortat, também já tinham sido denunciados por crime de lavagem de dinheiro, a mãe dele, Maria Auxiliadora Cortat, conhecida como ‘Vovó do Pó’; as tias dele, Neide Maria Santos Benaque e Bárbara Coutinho Benaque; os primos da mulher do traficante, Cláudia da Páscoa Silvério e Alex da Páscoa Silvério, e o tio de Cláudia, Moacir Freire da Páscoa.

O promotor do Gaeco, Diego Erthal, informou que o próximo passo agora é identificar imóveis, empresas de fachadas e carros que a quadrilha adquiriu como forma de lavar dinheiro. Só ontem três carros de luxo foram apreendidos. “Também estamos identificando ‘laranjas’ utilizados no esquema”, adiantou Diego. A suspeita é que o bando movimentava dez contas bancárias em sete bancos diferentes.

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