'Ele era muito possessivo', diz irmã de jovem esfaqueada por ex-namorado

Larissa Câmara Sabino foi morta, na Pavuna, na última sexta-feira. Ex-companheiro se entregou à polícia no sábado

Por O Dia

Larissa Câmara Sabino%2C de 18 anos%2C foi morta no último sábadoReprodução

Rio - Mais um caso de machismo leva ao fim a vida e os sonhos de Larissa Câmara Sabino, de 18 anos. A estudante de turismo foi assassinada brutalmente pelo ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento. Depois de diversas ameaças, Larissa chegou a fazer um registro de injúria na 39ª delegacia (Pavuna), mas até o dia em que foi morta, sua medida protetiva não tinha sido deferida pelo juiz e nem pelo Ministério Público.

A moradora da Pavuna, Subúrbio do Rio, desde quando tinha 15 anos namorava o vizinho de bairro Matheus Ferreira dos Santos, de 19 anos. Depois de diversas crises de ciúmes, Larissa resolveu romper com Matheus, que não aceitou a decisão, comentou a irmã da vítima Andrezza Câmara Sabino, de 22 anos.

"Ele era muito possessivo. Não queria deixar que ela usasse batom. Dependendo da roupa ele reclamava. Aí ela sempre falava 'Matheus, estou me arrumando pra você, não é pra ninguém'", comentou a irmã.

Larissa chegou a bloquear o ex-namorado no Facebook, mudou o número telefônico e quando seguia para o curso que fazia em Botafogo, pegava carona com o pai até a estação do metrô, já que temia qualquer abordagem do rapaz, que já tinha decorado a sua rotina.

Foi na última sexta-feira, por volta das 6h, quando Larissa seguia mais uma vez para o curso, que foi surpreendida por Matheus. Sem carona do pai até a estação do metrô porque a irmã passava mal e ambos seguiam para o hospital, Larissa aptou em pedir o serviço de moto-táxi, mas não foi atendida. Com medo de chegar atrasada, preferiu ir a pé. 

No meio do caminho, Larissa se deparou com Matheus. Com medo, a jovem desviou o percurso e optou seguir pela Praça Ucranianos, na Rua Gilbratar, quando Matheus atacou a moça com uma faca de cozinha.
"Ela deu uns dez passos e eu escutei um grito desesperado. Eu escutei o grito, mas eu não conseguia me mover, não conseguia sair do portão. Eu sabia que era o grito dela", disse a mãe Valmira Câmara Sabino.

LEIA MAIS

Ex-namorado é preso pela morte de jovem esfaqueada na Pavuna

?Jovem estudante morre a facadas na Zona Norte

Andressa tentou ligou para a mãe, mas o aparelho estava no quarto. O pai Edilson de Mesquita, que se arrumava para sair conseguiu atender, mas não ouviu a filha.

"Ele saiu correndo de roupa de dormir ao encontro dela. Ele (o pai) disse que quando atendeu o telefone ela não falava nada. Apenas escutou o grito desesperador que eu ouvi", disse a mãe.

Matheus chegou a fugir, mas no dia seguinte, dia 2,  se entregou na Delegacia de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca. De acordo com o titular da DH, Fábio Cardoso, quando agentes faziam a perícia no local, identificaram que o crime seria passional. Além de matar a jovem, o criminoso queria desfigurar o rosto da vítima.

"No dia 21 de março Matheus teria procurado Larissa para ofendê-la  e xingar, já que não se conformava com o término do namoro. Ela foi na delegacia, fez o registro de injúria e ameaça e solicitou a medida protetiva. Até o dia primeiro de abril, dia em que morreu, não havia uma decisão judicial decretando essa medida protetiva", lamentou o delegado.

Há dois projetos de lei (6433/2013 e 36/2015) tramitando no Congresso Nacional, que concede esse poder ao delegado de polícia em decretar essa medida protetiva ao invés de esperar a decisão do juiz ou do Ministério Público.

"É importante esses projetos serem aprovados. Se eles já tivessem em rigor, fatos como esse poderiam ter sido evitados", acrescenta o doutor Fábio.

Matheus foi indiciado e preso por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, pela impossibilidade de defesa da vítima e pelo feminicídio. Condenado, Matheus pode pegar até 30 anos de prisão.

Reportagem da estagiária Julianna Prado

Últimas de Rio De Janeiro