Polícia desarticula esquema de venda ilegal de ingressos para Olimpíadas

Agentes identificaram dez cambistas e apreenderam mais de 700 ingressos que seriam revendidos por um preço mais alto

Por O Dia

Rio - A 121 dias da Olimpíada, a Polícia Civil deu um duro golpe na ação de cambistas. Por meio da Delegacia do Consumidor (Decon), 712 ingressos para o evento esportivo foram apreendidos ontem. O trabalho de inteligência foi realizado em parceira com o Comitê Rio 2016 e conseguiu identificar dez pessoas que estavam utilizando redes sociais para vender os ingressos por preços superiores ao estabelecido pelo Comitê. Em alguns casos, eram vendidos por dez vezes mais que o valor real. Entre os acusados, nove são moradores de São Paulo e um do Rio. Havia apenas uma mulher. Todos serão ouvidos para explicar a procedência dos ingressos.

Com base nas provas reunidas durante as investigações, o delegado titular da Decon, Gilberto Ribeiro, solicitou ao Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos a busca e apreensão dos ingressos que estavam sendo postos à venda.

“Os ingressos ainda não foram entregues. Os cambistas se cadastraram na Rio 2016, compraram e ofereceram no facebook por preços superfaturados. O ilegal é ele comercializar no paralelo. Eles serão ouvidos para explicar sobre as vendas”, lembrou Gilberto.

Ainda segundo ele, as dez pessoas identificadas que revendiam os ingressos vão responder pelo crime de cambismo, e caso sejam condenadas, podem pegar de um a dois anos de prisão. “Quem comprou dos cambistas não responde por crime, mas já perdeu o dinheiro. Alguns depositaram 30% do valor. Recebi do Comitê Olímpico, que tem um centro de monitoramento, os perfis e investigamos. Todos já foram identificados”, afirmou o delegado.

De acordo com o diretor de ingressos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, Donovan Ferreti, a maioria dos ingressos vendidos por cambistas é para as cerimônias de abertura e encerramento, finais de competições como vôlei, futebol, basquete e natação. “São ingressos para várias modalidades, mas eles ofereciam sobretudo para os jogos principais, finais e cerimônias. É a primeira vez que há uma grande ação como esta”, diz.

Ferreti acrescentou ainda que os valores oferecidos pelos cambistas impressionaram pelo alto custo. “Enquanto cobrávamos R$ 120, eles revendiam a R$ 1.200. Ou seja, dez vezes mais. Um absurdo”, disse.

O diretor também avisou que os ingressos só devem ser comprados no site do Comitê (rio2016.com/impresso). “Só é permitido seis ingressos por evento e não pode ultrapassar 120 ingressos por CPF”, garantiu Ferreti.

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