Prefeitura vai construir casas para as 20 famílias resistentes da Vila Autódromo

Defensoria Pública firmou acordo com o município para assegurar permanência de moradores

Por tiago.frederico

Rio - A Prefeitura do Rio terá que construir casas para as 20 famílias que resistiram à desocupação da Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, para obras dos Jogos Olímpicos. Termo de Acordo Administrativo (TAC) assinado com a Defensoria Pública nesta quarta-feira prevê início imediato para as obras, que deverão ser concluídas até 22 de julho, data de entrega das chaves dos imóveis para aqueles moradores.

No documento, a Prefeitura também prometeu construir uma praça poliesportiva e um Centro Cultural para abrigar a nova sede da Associação de Moradores. O prazo para a entrega da obra e das chaves terá um período de tolerância de mais 30 dias e o seu cumprimento será acompanhado pelo Núcleo de Terras e Habitação (Nuth) da Defensoria, responsável pela defesa dos interesses das famílias remanescentes e também pelas negociações com a Prefeitura para a elaboração do Plano de Urbanização da Vila Autódromo, bem como pela assinatura do Termo de Acordo.

"Essa é uma luta de mais de 20 anos para a garantia do direito à moradia. É, também, a vitória da resistência e não só para quem permaneceu na Vila Autódromo, mas, sobretudo, para todos aqueles que se encontram na mesma situação. Com a oficialização do acordo e com a prefeitura assumindo a obrigação de construção das casas, outras comunidades perceberão que, quando há resistência, há resposta", destacou o coordenador do Nuth, defensor público João Helvecio de Carvalho.

O acordo que a Prefeitura assinou estabelece, para cada casa, um lote de 180 m², com área construída total de 56,46m² e área útil de 48,95m². Todas as moradias ficarão na Rua Nelson Piquet e terão dois quartos, sala, cozinha e banheiro, além de um jardim de inverno com acesso para um possível segundo andar. Os gastos com este pavimento, porém, ficarão a cargo dos proprietários.

Para não deixarem a comunidade nem durante o período das obras, moradores serão alocados em contêineres com luz, água e ar-condicionado.

Fruto de muita luta

O coordenador do Nuth, João Helvecio de Carvalho, e os defensores públicos do órgão, Adriana Bevilaqua e Luiz Gustavo Scaldaferri, estiveram na Vila Autódromo para colher as assinaturas dos moradores, na noite de terça.

"Estou feliz, sim. Mas a felicidade completa só virá quando as casas estiverem de pé. Vou procurar não ficar ansiosa porque a obra ainda vai começar e o sofrimento de todo mundo aqui é grande. Não será a casa dos nossos sonhos, porque essas, construídas com o nosso suor, já foram derrubadas. Mas serão moradias muito importantes para nós porque são fruto da nossa luta", afirmou Maria da Penha Macena, de 50 anos de vida e 23 de resistência na Vila Autódromo.

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