Por gabriela.mattos

Rio - O ex-presidente Lula ficou irritado com a postura dos deputados do PMDB fluminense na votação do último domingo, sobretudo com Pedro Paulo Carvalho e Sergio Zveiter, ligados ao prefeito Eduardo Paes, que há pouco mais de um mês se colocou como “soldado” do ex-presidente numa ligação telefônica divulgada pelo juiz Sérgio Moro.

A irritação de Lula deu o tom da reunião do diretório nacional do PT, nesta terça-feira, em São Paulo. O ex-presidente, que disse ter chorado três vezes durante a votação do impeachment na Câmara, chamou alguns ministros de canalhas durante o ato.

Outro alvo do ex-presidente foi o deputado Tiririca (PR-SP). No domingo, antes da votação, o deputado havia se reunido com Lula e se comprometido a votar contra o impeachment. No plenário, no entanto, votou a favor da saída da presidente Dilma Rousseff.

A traição de partidos e deputados que passaram boa parte do governo como aliados vai ter reflexo na eleição municipal. Um dos fundadores do PT, o deputado Raul Pont (RS) disse que o partido não deve voltar a fazer alianças com partidos que votaram contra a presidente.

Em relação ao Rio, a direção nacional do partido informou, no início da noite de ontem, que é necessário construir “uma candidatura unificadora do campo democrático-popular”, praticamente sepultando o apoio à candidatura de Pedro Paulo Carvalho.

“Temos que reconstruir nossa base a partir do que aconteceu agora. Esses partidos se mostraram verdadeiros balcões de negócios”, disse Raul Pont.

A direção nacional do partido aprovou uma resolução, ao fim da reunião, onde reforça a necessidade de uma profunda reforma política e ministerial, além da democratização dos meios de comunicação.

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