Suspeito de agredir jovem gay é indiciado por lesão corporal grave

Garçom de restaurante na Praça Tiradentes prestou depoimento e admitiu que agrediu promoter

Por O Dia

Rio - Policiais da 5ª DP (Gomes Freire) identificaram o homem suspeito de agredir o promoter Paulo Victor (ele pediu para não ter o sobrenome divulgado), de 20 anos, na madrugada do último dia 10 próximo a uma boate na Praça Tiradentes, no Centro do Rio. Mayson Mendes Carneiro, 19 anos, prestou depoimento na última segunda-feira na distrital e admitiu que agrediu o jovem. Na versão apresentada aos agentes, ele afirma que a vítima teria 'passado a mão na bunda' pela segunda vez em dois meses.

Paulo Victor precisará passar por uma cirurgia para a reconstrução da face já que teve um osso quebrado pelo criminoso. Ele levou 16 pontos, parte na maçã do rosto e parte no interior da boca.

O suspeito, que é garçom em um restaurante da região, disse aos policiais que conhece o promoter de vista e que há dois meses ele já havia cometido o mesmo assédio sexual repetido no último dia 10. Mayson afirmou aos agentes que Paulo Victor ainda saiu rindo do restaurante. Segundo disse no depoimento, ele foi tomar satisfações e, irritado, desferiu um soco na vítima.


Paulo Victor, 20 anos, sofreu ataque homofóbicoarquivo pessoal

Três testemunhas, além da vítima, reconheceram o garçom na delegacia como o autor das agressões. Uma das testemunhas afirmou que Mayson não desferiu apenas um soco, mas vários socos e chutes contra a vítima. A versão vai ao encontro do que disse Paulo Victor à reportagem publicada no DIA Online no último dia 14.

O garçom já tem uma anotação criminal por furto a estabelecimento comercial. Ele irá responder por lesão corporal grave. A pena para este crime varia de dois a oito anos de prisão.

Promoter diz que não trocou uma palavra e nem havia chegado perto do garçom

Paulo Victor contesta a versão do garçom. Ele afirma que jamais falou com Mayson e nunca teve qualquer contato próximo. "Ele queria uma desculpa para bater em alguém. Isso (o assédio) é mentira. Não cheguei perto dele. Não nos falamos. Eu sou muito tímido. Jamais faria algo assim com qualquer pessoa. Quem viu, disse que ele me bateu como um animal", disse.

O promoter lembra que por volta de 2h do último dia 10, estava com amigas que trabalham como ambulantes na rua quando um grupo de seis homens, entre eles o agressor, se aproximou.

"Eu saí de uma boate onde eu trabalho para ir em direção a uma outra casa onde uma amiga comemorava o aniversário. No meio do caminho, encontrei amigas que trabalham como ambulantes. Ficamos conversando, dançando, já que elas usam uma caixa de som para atrair os clientes. Esse grupo de seis homens que estava do outro lado da rua se aproximou e começou a brincar com a gente, se metendo nas fotos que a gente tirava. De repente, um dos caras que estava no grupo me chamou. Eu pensei que eu tivesse deixado cair algum objeto. Não cheguei a sequer falar com ele. Eu só dei um passo pra frente e, quando vi, já estava sendo agredido. Fui derrubado no chão e atingido com vários chutes no rosto", contou.

Ele foi ajudado pelas ambulantes, que aplicaram gelo no local e o ajudaram a procurar atendimento no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, onde foi medicado. O agressor, pelo relato da vítima, continuou a se divertir com os amigos. "As minhas amigas ficaram apavoradas com o jeito que meu rosto ficou. Elas tentaram chamar uma viatura da PM que passou, mas os policiais ou não ouviram ou não quiseram parar. A minha preocupação foi sair logo dali e procurar o hospital", disse o promoter.

"Eu só espero que a justiça seja feita. Que essa pessoa reflita e pague pelo que ela fez. Eu tenho muita sorte de estar vivo, eu poderia não estar aqui para contar o que aaconteceu", lamentou.


 

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