Armas sem identificação representam 86% das apreensões no Rio

Dados foram apresentados, nesta terça-feira, pela Secretaria Estadual de Segurança a deputados na CPI das Armas

Por O Dia

Rio - Cerca de 86% das 8.956 armas apreendidas no Rio de Janeiro no ano passado não possuem identificação. São armamentos com número raspado ou que foram fabricados sem número. Os dados foram apresentados, na tarde desta terça-feira, pela Secretaria Estadual de Segurança do Rio a deputados estaduais na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Armas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no centro da Capital Fluminense.

Cerca de 25% das armas com numeração estavam no registro do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Mais de 30% pertenciam a pessoas físicas, quase 30% a pessoas jurídicas e 20% a funcionários da Segurança Pública. Ainda segundo o levantamento da secretaria, metade dos proprietários das armas apreendidas registradas no Rio tem anotação criminal. Cerca de 40% das apreensões das armas com número são fabricadas no Brasil e 60% fabricados no exterior.

Os números não incluem os dados do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que coleta informação da Polícia Civil, os da Polícia Federal nem do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma). Por lei estadual, o laudo das armas da Polícia Civil é reservado.

A falta desses dados prejudica o controle de arma no estado, disse o secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que foi ouvido pelos integrantes da CPI. Ele defendeu o acesso a esses dados e a criação de um único banco de dados que envolvam todas as áreas de segurança pública.

Beltrame disse que, apesar da falta de investimento no setor, técnicos da secretaria desenvolveram um programa caseiro de controle interno de armas das polícias do estado, mas falta implantá-lo. “O projeto está pronto. Falta dinheiro para que possamos implantá-lo. [Com] em torno de R$ 5 mil ou R$ 6 mil consigo implantar em um batalhão”, disse.

As armas de porte (revólveres e pistolas) representam 50% das armas apreendidas e as pistolas são, na maioria, de fabricação nacional. Beltrame disse que houve aumento de 60% no número de apreensão de fuzis nos últimos oito anos e a maioria de fabricação estrangeira. Quase 100% das armas das marcas CZ e Glock, que não constavam no Sinarm e que foram rastreadas com auxílio das fábricas, são oriundas do Paraguai.

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