Por gabriela.mattos

Rio - Dono de um orçamento de R$ 49, 6 bilhões nos últimos cinco anos, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, culpou a falta de dinheiro para investir em projetos de controle de armas, especialmente na Polícia Militar. O principal argumento do responsável pela pasta desde 2007 foi apresentado nesta terça-feira na CPI das Armas, na Assembleia Legislativa.

Beltrame lembrou que previa o investimento de R$ 16 milhões para equipar batalhões, mas a verba prometida pelo governo federal não chegou. “Agora, temos um projeto caseiro desenvolvido a dois anos. Mas antes tivemos outras prioridades. Eram escolhas de Sofia”, afirmou. A justificativa foi rebatida pelo deputado Luiz Martins (PDT). “ Falar em falta de recursos agora sim, mas e antes?”, questionou.

Beltrame disse que não recebeu R%24 16 milhões do governo federal e por isso não equipou batalhõesOctacílio Barbosa / Alerj

A CPI das Armas da Alerj já concluiu, após vistoria no Sistema Informatizado de Material Bélico (SistMatBel) da PM, que o Rio está muito atrasado em relação a outros estados na questão do controle de armas. “Os sistemas nem se comunicam. A PM faz o controle em livros rasurados”, analisou o presidente da Comissão, Carlos Minc (sem partido).

Levantamento feito pelo DIA no ano passado mostrou a ineficiência nos mecanismos da corporação para impedir sumiço de armas. Em 17 de janeiro de 2012, o então cabo Edvan Mendes Lima retirou pistola ponto 40 com dois carregadores e 22 munições do 4º BPM (São Cristovão). Ele foi expulso em janeiro de 2013, mas a PM só recuperou a arma em novembro do ano passado.

Relatório da corregedoria produzido em 2011 mostra que foram 457 armas. As investigações foram abertas dois anos depois e ainda não foram concluídas. “A questão não é tecnologia ou se as anotações são feitas em brochuras, mas o homem que está por trás”, defendeu Beltrame.

O secretário entrou em embate com o deputado Zaqueu Teixeira (PDT). A discussão ocorreu porque o secretário acabou com Delegacia de Armas e Explosivos. No ano passado, foram apreendidas 8.956 armas. Roubo, extravio ou furto de armamentos de empresas privadas chegam a 17.672 em dez anos.

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