CPI das Armas: desvios e roubos são uma incógnita

Comissão quer esclarecer números de auditoria militar do MP e Corregedoria da PM

Por O Dia

Rio - A CPI das Armas na Alerj quer saber o número exato de armas roubadas, extraviadas ou desviadas nas unidades de polícias Civil e Militar do estado. Dados da auditoria militar do Ministério Público não coincidem com os levantamentos da Corregedoria da Polícia Militar.

“A CPI conferiu que dos 133 IPMs que a Corregedoria da PM abriu com as tais 640 armas roubadas, não eram esses mesmos números. Aí, perguntamos: aonde elas foram parar? Até usei a expressão ‘Triângulo das Bermudas, ou seja, elas desapareceram”, disse o presidente da CPI das Armas, Carlos Minc, que vai acionar o Ministério Público Federal. “Perguntamos se haveria hipótese de não ir para o IPM e eles disseram que não. Eles concordaram que é uma falha grave e que nos próximos dias vão dar essa informação”, ressaltou.

Segundo Minc, documento da Polícia Federal aponta que 640 armas foram roubadas ou desviadas da Polícia Militar entre 2005 e 2015. Outras 1.050 sumiram da Polícia Civil e 17 mil foram desviadas de firmas de segurança privada no período.

Minc explicou que desde que a CPI foi instaurada, o primeiro documento enviado pelo MP, em outubro de 2015, apresentou que dos 1.850 inquéritos instaurados, 1.818 estão em andamento, 10 foram arquivados e apenas 42 (pouco mais de 2%), concluídos, resultando em denúncias.

Não satisfeita com as informações, a CPI pediu mais dados ao MP. De acordo com o novo documento, dos 69 Inquéritos da Polícia Militar (IPMs), 52 estão em tramitação, 16 foram arquivados e apenas um, denunciado. Já os dados da Corregedoria da PM, informados pelo coronel Vitor Sousa Yunes, revelam que 133 IPMs foram abertos.

Segundo dados da CPI, a Corregedoria da PM lidera o número de desaparecimentos ou roubos de armas: 51. Em seguida, aparece o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com 44 armas roubadas ou desaparecidas. O MP alega que o sistema de controle da PM é arcaico e isso dificulta o processamento de dados. 

Reportagem Juliana Prado

Últimas de Rio De Janeiro