Por karilayn.areias

Rio - Quando a arte que o grafiteiro paulista Kobra fez na caixa d’água no alto do Complexo do Alemão foi substituída pela logo da Cedae, a favela chorou sem entender como alguém poderia fazer isso com uma pintura de um artista reconhecido internacionalmente. Agora, dois anos após a pintura, o branco e o logo da companhia hídrica dão lugar à arte novamente, com o aval da própria empresa, que ajudou com o material utilizado.

O projeto Favela Art recolorindo a caixa d’água do Alemão%2C após concessionária ter pintado arte de KobraDivulgação

A iniciativa de revitalizar a caixa d’água, que fica ao lado da Estação do Teleférico Palmeiras, é da artista plástica Mariluce Mariá Souza, que há dois anos desenvolveu o projeto Favela Art, para colorir o Alemão. “Quando vimos que cobriram o grafite por uma tinta branca, ficamos revoltados e lutamos para mudar isso”, conta Mariluce, que tem a ajuda de 60 crianças no trabalho de recolorir o morro. “Neste fim de semana, ainda contamos com a ajuda de três turistas”, lembra.

Ela espera que, com a pintura, o turismo volte a ser incentivado, gerando renda para a comunidade. “As barracas já começaram a reabrir, os turistas estão voltando”, diz. Segundo ela, a agenda cultural também voltou a ficar forte na região. “Aos sábados, tem pagode, vem até escolas de samba.

O projeto é grande, afirma a artista plástica. Seu maior objetivo é colorir todas as 13 favelas do Alemão. “Já pintamos 36 lugares, mas nossa meta é pintar outros 80”, conta ela, que recebe as tintas por meio de doações ou tira do que ganha com a venda de seus quadros, na Estação Palmeiras. “Se tivesse apoio, faria muito mais”, almeja. 

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