Por gabriela.mattos

Rio - A Praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio acordou com uma surpresa à beira mar: gigogas, vindas da Barra da Tijuca. "Eu cheguei até a pensar que elas poderiam ser boas. Algum tipo de alga, natural do oceano", disse a banhista Ana Luiza Arcanjo, de 25 anos. "Não havia associado com a poluição", completou ela. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a entrada da frente fria do último fim de semana, com ventos fortes e ressaca do mar, pode ter facilitado o movimento das plantas até a Zona Sul.

Só na Barra%2C Zona Oeste do Rio%2C foram retiradas 15 toneladas de gigogas%2C próximo ao Posto 1%2C e 12 toneladas na área do ItanhangáMaíra Coelho/ Agência O DIA

"Tinha muita gigoga. Os tratores tiraram quilos e ainda sobrou! A gente viu que elas começaram a chegar no mar na tarde de segunda-feira", declarou a turista, moradora de São Paulo, Fabiana Fernandes, de 40 anos. "Essa é uma cidade olímpica. Estranho deixarem isso acontecer", completou ela.

Ao longo da faixa de areia, entre o posto oito e 10, banhistas tinham que dividir o espaço com as algas jogadas perto do mar. Os amantes de caminhadas com os pés na água tiveram que mudar o caminho. A turista que não quis se identificar, do Acre, não escondeu o espanto e colocou sua canga logo perto de um montante de gigogas. Era o único espaço perto do mar. "Fiquei assustada. Não tinha visto isso ainda, parece sujeira. Está feio", afirmou.

Segundo a Comlurb, a limpeza foi feita nas regiões afetadas com a planta. Só na Barra, Zona Oeste do Rio, foram retiradas 15 toneladas, próximo ao Posto 1 e 12 toneladas na área do Itanhangá. Foram necessários 27 garis, com ajuda de caminhões e tratores de praia, com caçambas e esteira rolante. Só na praia de Ipanema, foram 31 garis realizando o trabalho da limpeza e retiraram 16,5 toneladas da praia. Desde sábado, a Comlurb informou que já foram 53 toneladas de resíduos recolhidos desde o rompimento da ecobarreira da Lagoa da Tijuca.

A Secretária Estadual do Meio Ambiente informou que a ecobarreira do Canal do Cunha, na Barra da Tijuca, recentemente substituída por uma mais moderna, já está sendo instalada por engenheiros do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo o órgão, o mau cheiro, resultado da decomposição das plantas, não afeta a balneabilidade da água e uma equipe do Inea vistoriou a lagoa mediu o oxigênio da água, constatando um baixo nível do gás, o que pode ter ocasionado a morte dos peixes.

O biólogo e fundador do movimento Baia Viva, Sérgio Ricardo, disse que as gigogas têm nada de natural. "A profileração delas se dá pela falta de tratamento de esgoto. Toda a bacia hidrográfica de Jacarepaguá tem aproximadamente 800 mil pessoas vivendo no entorno", declarou. "Todo o lançamento de esgoto é feito naquela região. Uma exposição desse material com radicação solar faz com que essas plantas nasçam", completou. "Elas crescem de forma repentina. Elas ajudam a abaixar o nível de oxigênio na água, prejudicando a vida dos peixes", concluiu.

?Reportagem da estagiária Carolina Moura

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