Comemoração em dobro: Bebê tem duas mães na Certidão de Nascimento

Felizes em uma relação homoafetiva, Juliana e Daniele são mães de Isabella, de 9 meses

Por O Dia

Rio - O mundo moderno quebra tabus e derruba ‘verdades’ até então absolutas. A máxima de que “mãe só tem uma” já caiu por terra, em função dos avanços da medicina e das novas relações. Em uma residência na Zona Norte do Rio, por exemplo, o Dia das Mães é comemorado em dose dupla. Isabela Pedrine de Almeida, de nove meses, tem, oficialmente, duas mães: a analista de saúde Juliana Pires da Silva Ferreira, 33 anos, e Daniele Pedrine Antunes de Almeida, 38 anos.

Na Certidão de Nascimento de Isabela%2C de 9 meses%2C consta os nomes de suas duas mães%3A Juliana Pires da Silva Ferreira e Daniele Pedrine Antunes de AlmeidaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Casadas desde junho de 2014, as duas mulheres sempre acalentaram o sonho da maternidade.  "A gente montou nossa família, desenhou num papelzinho os bonequinhos e escolhemos nomes”, conta Juliana, garantindo que “independente da opção sexual a vontade de ser mãe sempre foi forte”. Elas procuraram a clínica de medicina reprodutiva Pró-Nascer. “A intenção inicial era que a Dani engravidasse com os óvulos dela”, lembra Juliana. “Entretanto, a médica constatou que eu tinha uma falência ovariana e o risco de não dar certo era grande”, explica Daniele. Juliana doou o óvulo, que foi inseminado e implantado em Daniele, que gestou a criança.

Na Certidão de Nascimento de Isabela consta o nome das duas mães. “Antes de nascer, já tinha um mandado do juiz dizendo que o cartório tinha que registrar a criança com aquele nome e filha de Juliana e Daniele”, conta Juliana. Outra vitória obtida por elas na Justiça foi a concessão de licença maternidade para Juliana.

“O INSS brigou muito. No entendimento deles, licença é para mulher que gestou se recuperar. Mas, o juiz entendeu que a ‘Ju’ também é mãe e tem o direito de compartilhar o dia-a-dia da Isabela, agora que ela está criando os vínculos”, afirma Daniele, adiantando que a intenção é aumentar a família. “Queremos três filhos, mas quem vai gerar o próximo sou eu”, diz Juliana.

A cada dez consultas, três são de homoafetivos femininos

Segundo o diretor médico da clínica de reprodução humana Pró Nascer, João Ricardo Auler, de cada 10 consultas, três são de casais homoafetivos femininos que querem ter filhos.

“O direito de procriar é de todos. O instinto de procriação independe da orientação sexual. Num casal homoafetivo o conceito de maternidade é mais valorizado”, diz o médico. A participação masculina nesses casos é anônima. As mulheres recebem uma planilha com as características físicas e o perfil psicológico dos doadores de semens, que são identificados por números. Caso o escolhido já tenha “filhos” na região, ele é descartado, para evitar problemas com os “irmãos”. No caso da Isabela, o selecionado foi o número 500. “A gente teve seis opções”, explicou Juliana. O sêmen escolhido era de um homem branco, cabelo e olho castanho claro e que gosta de filosofia, história e esporte.

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