Criminosos que mataram jovem são suspeitos de série de arrastões no Rio

De acordo com comandante do 3º BPM,maneira com que bandidos agiram é parecida com ações recentes na região

Por O Dia

Ana Beatriz Frade foi atingida por um tiro na cabeçaReprodução Facebook

Rio - Os criminosos que mataram a estudante Ana Beatriz Frade, de 17 anos, podem estar envolvidos em outros arrastões em vias importantes do Rio. De acordo com o comandante do 3º BPM (Méier), Luis Teixeira, a maneira com que os cinco suspeitos agiram é parecida com ações recentes na região. No dia 11 de março quatro homens renderam três motoristas em outro acesso da Linha Amarela, em Pilares.

"O local do crime é um ponto de mancha criminal. A gente realiza operação diariamente, mas eles migram de um ponto para o outro. O modus operandi é parecido com o de outros arrastões na via. Eles se escondem nos matagais, esperam a polícia passar e praticam os crimes", disse Teixeira. "Vamos nos reunir na segunda-feira para traçar metas de segurança no local, como o desmatamento do matagal e instalação de obstáculos na pista", acrescentou.

Muito abalados, os parentes que foram reconhecer o corpo no Instituto Médico Legal (ML) não falaram com a imprensa. Nas redes sociais, porém, familiares e amigos prestaram homenagens e solidariedade. "Mais uma vítima da violência. Sempre é triste, mas quando acerta o seio da sua família é devastador", disse a prima, Camila Frades.

Em sua página no Facebook, Ana Beatriz seguia diversas publicações sobre medicina, carreira que pretendia estudar. Ex- professora, Ana Cristina Pádua Botechia relatou que a adolescente era esforçada e tinha um futuro promissor. "Revoltante saber que a sua ex-aluna, com apenas 17 anos, linda, simpática, cheia de sonhos, inteligente e esforçada, que estava se preparando para ingressar numa faculdade de Medicina, perde sua vida assim. Uma bala "perdida" foi encontrar justo a Ana Beatriz Frade no Rio de Janeiro. Muito triste, muito mesmo. Deus conforte todas as pessoas que conviviam com ela e estão sofrendo esta perda", publicou.

No momento do crime, a jovem estava com a família, entre eles um bebê de colo, em uma Pajero. Segundo informações, o padrasto teria tentado furar o bloqueio e os assaltantes atiraram contra o veículo. A menina, que estava no banco do carona, foi atingida na cabeça e morreu no local. A família seguia para o aeroporto fazer uma surpresa para a mãe da jovem, que estava chegando de viagem.

Os criminosos roubaram um Palio vermelho para fugir. O carro foi deixado na via por uma policia militar, que conseguiu fugir deixando a farda e a arma. Ela prestou depoimento na 44º DP (Inhaúma).

Sepultamento será em Petrópolis

Ana Beatriz será sepultada hoje, às 14h, no cemitério municipal de Petrópolis. Ela sonhava em estudar medicina e morava em Guarapari, no Espírito Santo.

Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DH) vão investigar se o padrasto da adolescente tentou fugir dos criminosos. Segundo investigadores, há duas hipóteses: que ele, ao avistar a ação de oito bandidos, um deles armado com uma arma longa, se desesperou e acelerou o carro, tendo o veículo alvejado, ou se se não percebeu a abordagem do grupo.

A menina estava no banco do carona. Ao ver que ela fora ferida, o padrasto ainda percorreu 500 metros para buscar socorro. Não adiantou. Ela morreu na hora.

O padrasto, que não teve o nome divulgado, foi hospitalizado no Rio em estado de choque, segundo o delegado Phelipe Cyrne. “Os bandidos vieram de uma linha férrea para fazer o arrastão”, contou o delegado Cyrne. “Uma policial militar estava no carro atrás do veículo da Ana. Ela escutou o disparo, abandonou o veículo e fugiu. Os pertences dela foram roubados. O depoimento dela é importante”.

O resultado do exame balístico é aguardado para determinar qual o calibre da bala que atingiu Ana.

Últimas de Rio De Janeiro