Por adriano.araujo
Rafael Braga Vieira será julgado nesta quarta-feira por tráficoDivulgação

Rio - O ex-morador de rua Rafael Braga Vieira, único condenado por protestos ocorridos em 2013 no Rio, será julgado na tarde desta quarta-feira por tráfico de drogas. Em janeiro deste ano, quando estava em liberdade e usando uma tornozeleira eletrônica, ele foi preso novamente por policiais da UPP da Penha e, segundo os PMs, portava drogas e um rojão.

Seus advogados alegam que esta prisão também foi arbitrária assim como a da época das manifestações, em que a defesa apontou que ele portava uma garrafa de Pinho Sol e outra de água sanitária, confundidas com coquetéis molotov. 

Em janeiro, quando foi preso, o advogado do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), Thiago Melo, disse que cinco PMs o abordaram com violência na rua conhecida como ‘Sem Terra’, próxima à casa de sua mãe.

“Foi a segunda prisão arbitrária contra este rapaz. Rafael foi xingado, agredido com tapas no rosto e até ameaçado de estupro. Ele foi algemado e levou chutes. Acredito que por ser um jovem que usa tornozeleira eletrônica, ficou marcado”, lembrou o advogado.

Relembre o caso

Rafael foi preso em frente à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) no dia 20 de junho de 2013. Consta no processo que policias civis viram quando ele entrou em estabelecimento comercial em frente à DCAV. Instantes depois, ele teria saído com dois “artefatos incendiários em suas mãos”. O protesto teria reunido cerca de 300 mil pessoas. Rafael negou que estivesse com os coquetéis.

Nos autos, após declaração do jovem, o juiz afirma que o réu “declarou uma versão pueril e inverossímil, no sentido de que teria encontrado as duas garrafas lacradas (uma, segundo ele, contendo Pinho Sol e a outra, água sanitária) ambas em uma loja abandonada, e resolveu tirá-las dali”. O laudo técnico da Core atestou que uma das garrafas tinha “mínima aptidão para funcionar como coquetel molotov”. 

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