Ex-morador de rua condenado por protestos será julgado hoje por tráfico

Rafael Braga Vieira foi preso em janeiro deste ano na Penha. Advogado disse na época que esta prisão também foi arbitrária

Por O Dia

Rafael Braga Vieira será julgado nesta quarta-feira por tráficoDivulgação

Rio - O ex-morador de rua Rafael Braga Vieira, único condenado por protestos ocorridos em 2013 no Rio, será julgado na tarde desta quarta-feira por tráfico de drogas. Em janeiro deste ano, quando estava em liberdade e usando uma tornozeleira eletrônica, ele foi preso novamente por policiais da UPP da Penha e, segundo os PMs, portava drogas e um rojão.

Seus advogados alegam que esta prisão também foi arbitrária assim como a da época das manifestações, em que a defesa apontou que ele portava uma garrafa de Pinho Sol e outra de água sanitária, confundidas com coquetéis molotov. 

Em janeiro, quando foi preso, o advogado do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), Thiago Melo, disse que cinco PMs o abordaram com violência na rua conhecida como ‘Sem Terra’, próxima à casa de sua mãe.

“Foi a segunda prisão arbitrária contra este rapaz. Rafael foi xingado, agredido com tapas no rosto e até ameaçado de estupro. Ele foi algemado e levou chutes. Acredito que por ser um jovem que usa tornozeleira eletrônica, ficou marcado”, lembrou o advogado.

Relembre o caso

Rafael foi preso em frente à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) no dia 20 de junho de 2013. Consta no processo que policias civis viram quando ele entrou em estabelecimento comercial em frente à DCAV. Instantes depois, ele teria saído com dois “artefatos incendiários em suas mãos”. O protesto teria reunido cerca de 300 mil pessoas. Rafael negou que estivesse com os coquetéis.

Nos autos, após declaração do jovem, o juiz afirma que o réu “declarou uma versão pueril e inverossímil, no sentido de que teria encontrado as duas garrafas lacradas (uma, segundo ele, contendo Pinho Sol e a outra, água sanitária) ambas em uma loja abandonada, e resolveu tirá-las dali”. O laudo técnico da Core atestou que uma das garrafas tinha “mínima aptidão para funcionar como coquetel molotov”. 

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