Deputada lamenta ausência de Delegacia da Mulher em caso de estupro

Ex-chefe de Polícia Civil, Martha Rocha repudiou frase de Alessandro Thiers, delegado da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que está encarregado do caso

Por O Dia

Rio - A presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputada Martha Rocha (PDT), repudiou, neste sábado, as declarações do delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Polícia Civil, sobre o caso da adolescente estuprada.

Segundo a deputada, as frases de Thiers publicadas pela imprensa criminalizam e culpabilizam a vítima. "Quando estamos diante de uma barbárie dessas e o delegado diz que "está investigando se houve consentimento e que a polícia não pode ser leviana", entendemos porque tantas mulheres deixam de ir às delegacias denunciar casos de abuso sexual e violência", afirmou Martha Rocha, que já foi chefe de Polícia Civil.

Como presidente da Comissão de Segurança da Alerj, Martha Rocha também lamentou que a investigação não conte com a participação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).

Advogada de vítima de estupro coletivo pede saída de delegado do caso

A advogada da jovem que foi vítima de estupro coletivo em uma comunidade da Zona Oeste do Rio, afirmou que vai pedir a substituição do delegado que está investigando o caso, Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Segundo Eloísa Samy informou em entrevista ao RJTV, durante novo depoimento da jovem na noite desta sexta-feira, o delegado deixou a menor acuada.

“O delegado colheu o depoimento dela com três homens na sala. A menor chegou a questionar que tinha muito homem ali [na sala] e mesmo assim ele a perguntou se ela tinha hábito de fazer sexo em grupo”, disse Eloísa Samy.

Advogada de adolescente estuprada pede troca de delegado do casoReprodução TV Globo

Ainda de acordo com a advogada, a família da menina está com medo e deseja proteção policial. Eloísa também contou que a secretaria de Assistência Social ainda não fez nenhum tipo de contato com a família da menor.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, a investigação do caso tem sido feita de forma integrada pela DRCI e pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) - para realizar apuração do crime.

"A investigação é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos, para reunir provas do crime e identificar os agressores, os culpados pelo crime".

Segundo nota, A DRCI informou que durante a oitiva da vítima ela confirmou que sofreu o estupro e, lhe foi perguntado se tinha conhecimento que havia um outro vídeo sendo divulgado em mídias sociais em que ela apareceria mantendo relações sexuais com homens, conforme relato de uma testemunha.

"A vítima informou que desconhece o vídeo e que não é verdadeiro. A mãe da vítima acompanhou todo o depoimento, sendo que, em determinado momento, houve discordância entre a advogada e o desejo da mãe da vítima. Por esta razão a oitiva da mãe foi feita sem a presença da advogada".

O caso

Na última quarta-feira, um vídeo que mostrava uma jovem desacordada aparentemente após ser vítima de estupro foi publicado no Twitter e chocou os internautas. Devido a repercussão das imagens, que geraram comoção nas redes sociais e campanhas repudiando a violência contra a mulher, o caso passou a ser investigado pela polícia.

A jovem, de 16 anos, foi identificada e convocada para depor. Quatro homens suspeitos de participar do crime (Michel Brazil da Silva, de 20 anos, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, que aparece na imagem do lado da jovem, e Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, envolvido na divulgação das imagens da vítima) tiveram a prisão preventiva pedida pela polícia.

De acordo com a polícia Civil, o número de homens que participaram do estupro coletivo pode chegar a 36. A jovem fala em 33. 

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