Homens se passam por médicos para cobrar por exames de até R$ 1,5 mil

Criminosos afirmaram que o quadro clínico piorou e solicitaram depósito de urgência para exame que não estaria disponível na rede pública

Por O Dia

Rio - Parentes de pacientes internados no CTI do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna) estão sofrendo um golpe pelo telefone. Munidos de boletins com o estado de saúde dos hospitalizados e contatos de familiares, que constam nos prontuários, homens que se identificaram como médicos tentaram extorquir pelo menos 12 famílias ontem. O crime já havia sido registrado em outros estados, mas aqui no Rio ainda é pouco conhecido.

Os criminosos diziam que o quadro clínico piorou e solicitaram depósito de R$ 1.5 mil para exame de urgência que não estaria disponível na rede pública.

Eram 9h20 quando X. recebeu a primeira ligação em casa. Segundo a vítima, o homem se apresentou como ‘doutor Clóvis Machado’. “Ele disse que o quadro clínico tinha piorado às 22h de ontem (quinta-feira) e que precisariam fazer outra tomografia não coberta pelo SUS, e que isso poderia ser feito pela Unimed”, contou a mulher, que pediu para não ser identificada.

De acordo com X., o estelionatário pediu que ela transferisse R$ 1.500 para a conta de um suposto funcionário da Unimed (o criminoso teria informado como nome do destinatário ‘Rangel Rodrigues’). Até as 15h, a vítima recebeu 15 ligações originadas de DDDs de São Paulo (11) e Mato Grosso (66), sendo algumas restritas. O falsário telefonava insistentemente para saber se o depósito já tinha sido realizado.

Ela não transferiu o dinheiro porque desconfiou que poderia ser um golpe, já que o Hospital Saracuruna disponibiliza tomografias. X. soube que duas famílias fizeram o depósito.

Já para Y., o falso médico se identificou como ‘Cláudio Machado’. “Ele repetiu as informações clínicas com quase as mesmas palavras usadas pelo médico no dia anterior, quando foi divulgado o boletim. Suspeitei porque ele disse que meu marido precisava de tomografia para diagnosticar a evolução de uma bactéria, mas esse exame não é para isso”, relatou ela, que também não fez o depósito. As vítimas se certificaram no hospital de que era golpe e denunciaram na 60ª DP (Campos Elíseos).

Bandido conta o ‘esquema’

Depois que começou a receber as ligações, às 10h, Y. saiu de casa em direção ao hospital e manteve contato com o bandido pelo celular. Apesar de ter ligado dos códigos de área 11 e 66, o criminoso forneceu um número do Rio para a vítima continuar falando com ele. Segundo a mulher, algumas horas depois, o estelionatário demonstrou ter ficado com pena de seu desespero e admitiu fazer parte de um ‘esquema’ de dentro de um presídio.

A vítima foi informada para depósito uma conta que seria no nome de ‘Marinalva Pereira’. Os parentes temem que funcionários do hospital estejam envolvidos, já que os estelionatários têm informações precisas dos pacientes, além de todos os contatos dos parentes, que constam no prontuário médico.

Secretaria de Saúde alerta sobre crimes

Questionada sobre o caso pelo DIA, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou, à noite, por telefone, que o delegado de plantão na 60ª DP não tinha tomado conhecimento das denúncias. Já a Secretaria Estadual de Saúde iniciou uma campanha nos hospitais da rede para reforçar que o atendimento e o tratamento de pacientes nas unidades públicas é 100% gratuito, a fim de inibir esse tipo de golpe.

“As famílias abordadas pelos falsários são encaminhadas para o serviço social da unidade em que os pacientes estão internados, onde recebem orientação de procurar a delegacia mais próxima para registrar o caso”, afirmou o órgão em nota.

A secretaria salientou que a rede estadual de saúde dispõe de sistema de regulação próprio, para encaminhar seus pacientes a exames necessários ao seu tratamento.


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