Novo laudo reafirma irregularidades em projeto de ciclovia

Para o Crea-RJ, um dos erros foi não levar em consideração estudos oceanográficos. Ondas previstas eram de 2,5 metros de altura, mas chegaram a 25 metros no local do acidente

Por O Dia

Rio - Um novo laudo sobre o desabamento de trecho da Ciclovia Tim Maia, na Zona Sul, divulgado nesta segunda-feira reafirma irregularidades encontradas no projeto executivo da obra. Para o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), as falhas são de responsabilidade da prefeitura e das empresas Contemat e Concrejato.

Segundo o Crea-RJ, os erros ocorreram pois não foram levados em consideração estudos preliminares oceanográficos. Somente ondas de até 2,5 metros foram consideradas, no entanto, a água chegou aos 25 metros no local do acidente.

Outro erro diz respeito ao edital de licitação, que não obrigou as empresas participantes de apresentarem uma expertise para fazer a obra. O Tribunal de Contas do Município (TCM) acredita que a presença deste ítem dificultaria a entrada de outras empresas no processo de licitação, o que não ocorreu. Além disso, não foi respeitada a lei de licitações, que determina o cumprimento das normas técnicas brasileiras.

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Para o Crea-RJ, há indícios de falta de ética no exercício profissional. Os desenhos técnicos, por exemplo, não identificavam autores, os responsáveis técnicos e não continham a autorização do responsável para a liberação e a execução da obra.

Reynaldo Barros, presidente do Crea-RJ, acredita que prefeitura (Geo-Rio) e consórcio (Contemat e Concrejato) devem ter responsabilidade pelo acidente compartilhada. Ele defendeu a aplicação de penalidades, como uma advertência reservada, censura pública, multa, suspensão temporária do exercício profissinal dos técnicos e o cancelamento definitivo do registro.

Ele disse ainda que somente a COPPE/UFRJ e o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias - INPH poderão dizer se a ciclovia poderá estar aberta a tempo da Olimpíada. "Pedirei ao Ministério Público que investigue os responsáveis pela queda e pelas mortes", declarou o presidente do Crea-RJ.

Em nota, a prefeitura disse estar à disposição da polícia e afirmou ter contratado a Coppe e o INPH para auditoria independente. Em decreto, a prefeitura determinou que os responsáveis do consórcio sejam afastados de futuros contratos.

O Consórcio Contemat/Concrejato disse que não recebeu oficialmente o relatório final do Crea-RJ. "De maneira a garantir uma apuração rigorosa e capaz de apontar com precisão as causas do acidente, o Consórcio só irá se manifestar após a conclusão das investigações”, declarou, em nota.

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