Projeto cria primeira escola nacional de formação de cães-guia

No Brasil são cerca de cem animais treinados, enquanto há seis milhões de deficientes visuais

Por O Dia

Rio - Grandes aliados de quem enxerga pouco ou é cego, os cães-guia são uma raridade no Rio. Em todo o estado não passam de 15. No Brasil são cerca de 100, enquanto há 6 milhões de deficientes visuais, dos quais meio milhão, cegos. Para mudar essa realidade, o projeto carioca Cão Guia Brasil se aliou ao instituto Iris de Responsabilidade e Inclusão Social, de São Paulo, para a criação da primeira escola nacional de formação de cães-guia.

A expectativa, segundo George Harrisson, de 40 anos, de Niterói — um dos únicos quatro adestradores especializados do Brasil e representante do Cão Guia Brasil — é de se treinar oito novos cães para a função nos dois primeiros anos e pelo menos 40 em até dez anos. “A intenção é formar também mais adestradores. Atualmente, mais de três mil pessoas sem visão esperam na fila pela doação de um cão-guia no Rio e São Paulo”, afirma George, que trancou a faculdade de Desenho Industrial para se dedicar aos cães-guias.

Em todo o Brasil%2C não passa de 100 o número de cães-guia para deficientes visuais. No Rio%2C são apenas 15Divulgação

Thays Martinez, que perdeu a visão total aos quatro anos, por conta de caxumba, e hoje é fundadora do Instituto Iris, lançou uma campanha pelo site www.iris.org.br, com doação mínima de R$ 10, para arrecadar fundos para aposentar parte dos cães-guia, depois de oito anos de trabalho, e repor outros. “É uma tarefa árdua. Cada treinamento pode levar até 18 meses e custar em torno de R$ 35 mil cada um. Por isso é importante a formação de um número maior de cães-guia e adestradores”, detalha Thays, adiantando que a primeira escola está sendo erguida em Sorocaba (SP), mas outras serão construídas também no Rio.

“Os cães-guia são nossos olhos. São eles que nos conduzem com segurança pelos espaços públicos, identificando obstáculos que dificilmente perceberíamos como uma simples bengala, como galhos de árvores, buracos e orelhões, por exemplo”, salienta Thays. No Rio, as doações são arrecadadas também pelo site www.caoguiabrasil.org.

Poucos cães se adaptam à função de guias

Dos poucos cães enviados para treinamentos — a maioria nos Estados Unidos e Europa —, somente 25% se adequam à função de guias. As raças preferidas são o labrador e o golden retriever, pelo porte físico, e por serem mais dóceis e inteleligentes. Os cães-guia oferecem aos cegos segurança na locomoção, equilíbrio físico e emocional, o que facilita a socialização dos conduzidos e melhora sua autoestima.

De acordo com George Harrison, a formação de um cão-guia tem início com um rigoroso processo de seleção genética e comportamental. Depois se dá a fase de socialização, aos três meses, e de convivência social. Só depois ocorrem treinamentos específicos como desviar de obstáculos, perceber o movimento do trânsito, identificar objetos, desviar de buracos, encontrar a entrada e saída de locais, banheiros, escadas, elevadores, escadas rolantes, e até desviar o cego de obstáculos na altura da cabeça.

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