'Tenho câncer, preciso da ajuda dela', diz pai de vítima baleada em falsa blitz

Psicóloga da Marinha e atleta de tiro, Anna Paula Cotta, 28 anos, estava a caminho da transportadora do pai para ajudá-lo

Por O Dia

Atleta foi baleada na cabeça na em falsa blitzReprodução Internet

Rio - Uma boa filha, preocupada com a família. Assim Marco Antonio Cotta da Silva, pai da psicóloga da Marinha e atleta de tiro esportivo Anna Paula Desbrousses Cotta, de 28 anos, baleada na cabeça após furar uma falsa blitz na Avenida Martin Luther King Jr., em Inhaúma, no fim da madrugada desta quinta-feira. Ela seguia para a transportadora que pertence ao pai para ajudá-lo. A Secretaria Municipal de Saúde informou que a vítima já foi operada no Hospital Salgado Filho e transferida para o Hospital Marcílio Dias, da Marinha. O estado de saúde dela é considerado grave.

"A gente vê essas barbaridades na televisão e acredita que nunca acontecerão com a nossa família. Todos os dias ela me ajudava na minha empresa (transportadora que presta serviços para uma rede de supermercados). Espero que ela se recupere rapidamente porque tenho câncer no pulmão, estou doente, e preciso da ajuda dela", desabafou. 

Apesar de reconhecer a violência que toma conta da cidade, ele não pensa em deixar o Rio e acredita na mudança de cenário.

"Aconteceu isso com a minha filha, mas ainda acredito que a cidade vai melhorar. Temos de acreditar que essa violência vai acabar. Não pretendo me mudar do Rio, embora exista tanta violência. Estamos sitiados na nossa cidade, é uma pena. Mas tenho de acreditar que vai melhorar."

A psicóloga da Marinha e e atleta de tiro Anna Paula Desbrousses tentou fugir dos bandidos e%2C mesmo ferida%2C dirigiu por 50 metros até bater no muro de estação de metrôFoto%3A Estefan Radovicz / Agência O Dia

Anna foi baleada a poucos metros da saída da Linha Amarela. Ela levou um tiro na cabeça e, mesmo ferida, dirigiu por pelo menos 50 metros até bater no muro da estação do metrô de Inhaúma, a cerca de 200 metros da 44ª DP.

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Anna dividia a vida entre ajudar o pai, a carreira na Marinha e o amor pelo tiro esportivo, sendo atleta na modalidade de tiro de ar comprimido. O pai da vítima, Marco Antonio Cotta, disse à reportagem que a filha estava classificada para disputar as Olimpíadas do Rio, mas o Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) negou a informação, dizendo que ela é filiada à CBTE, mas não integra a equipe brasileira que disputará da modalidade. A militar também é vinculada à Federação de Tiro Esportivo do Rio de Janeiro.

A psicóloga da Marinha e e atleta de tiro Anna Paula Desbrousses tentou fugir dos bandidos e%2C mesmo ferida%2C dirigiu por 50 metros até bater no muro de estação de metrôFoto%3A Estefan Radovicz / Agência O Dia


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