Jovens depositam esperanças na Copa das UPPs

Campeonato é uma vitrine que já levou garotos para times de todo país

Por O Dia

Rio - Uma competição que reúne mais clubes e atletas que o próprio Campeonato Brasileiro de Futebol começou a agitar semana passada 35 comunidades do Rio, onde antigas rivalidade agora se restringem ao campo. Trata-se da segunda edição da Copa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), criada para integrar moradores e policiais militares, mas que também revela talentos para clubes profissionais em todo o Brasil.

A competição, que prossegue até o dia 30 de julho, com jogos aos sábados e domingos, conta com 1.050 atletas, 430 árbitros federados, além de equipes médicas, e já é vista, tanto por policiais quanto jogadores, como uma ótima chance para alçar vôos mais altos na carreira futebolística.

Copa das UPPs revela bons jogadores%2C incentiva jovens na área de Educação com bolsas de estudos%2C além de aproximar a garotada de comunidades diferentes e com policiais Alexandre Vidal / Divulgação

“Nosso propósito, além de tornar cada vez mais amistosa a relação de moradores e PMs, é justamente gerar oportunidades em clubes já consagrados. Por isso montamos uma estrutura de torneio oficial”, diz o secretário de Estado de Esportes, Turismo e Lazer, Marco Antônio Cabral. Ele adianta que este ano olheiros de diversos times profissionais vão acompanhar as partidas à caça de novos talentos.

Além disso, a secretaria, que realiza a disputa em parceria com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro e apoio da Universidade Estácio de Sá e do Instituto Masan, também vai proporcionar prêmios na área educacional. Bolsas de estudos integrais para graduação, pós-graduação e cursos técnicos, também serão distribuídas, e podem ser o ponta pé inicial para uma mudança de vida. Ano passado, todos os atletas da equipe que se sagrou campeã ganharam um tablet e bolsas de estudos.

Um dos que tiveram a vida transformada pelo projeto foi Marcos Phellipee Gomes. Desde criança ele sonhava em ser jogador. Nunca desistiu. Marcos passou por testes em diversos clubes amadores até que em 2015, aos 24 anos, viu na Copa UPP a sua grande esperança. O atacante do Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias, foi o artilheiro da competição, com 14 gols, e garantiu o título à comunidade.

A disposição em alcançar um lugar ao sol e sua artilharia chamaram a atenção de clubes profissionais. Acabou contratato pelo São Raimundo Esporte Clube, campeão de Roraima no último dia 28. Agora, ele pensa em voltar para o Rio para usar a bolsa de estudos integral conquistada em 2015 para o curso de Educação Física. “Me profissionalizei, fui campeão e agora poderi fazer uma faculdade. Essa Copa UPP transformou a minha vida”, garante Phellipee.

Jogos são levados a sério e alguns times ficam de olho nos talentosAlexandre Vidal / Divulgação

Torneio virou trampolim para vários estudantes

O meio-campista Jhonata de Oliveira Alexandre, de 22 anos, campeão ano passado pelo Mangueirinha, é outro jovem que fez da Copa UUP um trampolim para o profissionalismo. Graças à sua habilidade com a bola ao longo da competição em 2015, Jhonata foi contratado para jogar o Campeonato Mineiro deste ano pelo pelo Villa Nova Atlético Clube (MG).

“Joguei contra o Atlético Mineiro. Foi um sonnho. Graças a Deus e ao meu bom desempenho, no fim do campeonato, o Villa Nova renovou meu contrato para disputar a Série D do Brasileirão, uma grande vitrine também”, afirma, otimista, Jhonata, que começou a carreira no juniores do Boa Vista.

O soldado Marcos Vinícius Brito de Jesus, de 33 anos, da UUP Mangueirinha, jogou no time de Marcos Phellipee ano passado. Ao final da competição, acabou ganhando um curso de Direito na Estácio de Sá.

“Meu foco era ser campeão e consegui. A bolsa veio como consequência do nosso esforço e caiu como uma luva na minha vida”, afirma Marcos Vinícious, ressaltando que a relação da polícia com os moradores melhorou de forma significativa. “O esporte possibilita nos conhecer melhor. Eu converso todos os dias com os moradores, até pelo whatsapp, onde mantemos um grupo em comum”, diz.

Os jogos, regulamentos, e outras informações sobre a Copa UPP podem ser obtidos pelo o site copaupp.com.br ou na página oficial no Facebook (facebook.com/CopaUPP).

Estádios foram ‘berços’ do futebol para Dinamite e Ronaldo Fenômeno

Na Copa UPP 2016, cada comunidade pode incluir 30 atletas por equipe. As três primeiras colocadas da competição receberão bolsas de ensino a distância, além de seis bolsas de estudo integral para serem sorteadas. Caso o sorteado já tenha nível superior, a Universidade Estácio de Sá oferecerá a opção de cursos de pós-graduação.

A Copa UPP 2015 atraiu também veteranos. É o caso Luiz Fernando Mendes da Conceição, morador do Complexo do Andaraí, de 75 anos, que participou do torneio. “Quem me conhece sabe que sou fominha. Estava doido pra jogar. Jogo regularmente três vezes por semana desde os 12 anos e esta Copa está servindo para integrar ainda mais os moradores com os policias que tomam conta da gente. Muito bacana”, opina.

Quatro campos são palcos da segunda edição da Copa UPP. Um deles é o Miécimo da Silva, em Campo Grande, o maior complexo esportivo de uma prefeitura no Brasil, com 64 mil metros quadrados, e capacidade para 1.953 torcedores. Outro é o Ítalo Del Cima, também em Campo Grande, e que comporta até 18 mil pessoas e foi palco de muitos jogos da história do futebol do Rio de Janeiro. Foi lá que Roberto Dinamite estreou no futebol. O terceiro é o São Cristóvão de Futebol e Regatas, o mais antigo do Rio, de 1916, onde ‘nasceu’ Ronaldo Fenômeno Nazário de Lima. Também foi a primeira ‘casa’ de craques como Válber (Vasco), João Paulo e Whashington (Santos)CBMERJ – Corpo de Bombeiros de Guadalupe; e dos Bombeiros de Guadalupe, às margens da Avenida Brasil. O campo faz parte do compledo do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças.

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