Parada Gay de Madureira silencia em homenagem às vítimas dos EUA

Participantes do evento fazem um minuto de silêncio em reverência aos 50 mortos em Orlando

Por O Dia

Rio - A comoção pelo assassinato de ao menos 50 pessoas numa boate gay nos Estados Unidos tomou conta da 16ª Parada do Orgulho LGBT, no domingo à tarde, no Calçadão de Madureira. O evento, que segundo organizadores contou com a presença de 800 mil pessoas, teve um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do massacre. O ritual foi respeitado pelos frequentadores, que chegaram a chorar ao falar do atentado.

Organizadores da Parada Gay em Madureira lamentam o ataque que vitimou ao menos 103 pessoas e prestam solidariedade Paulo Carneiro/Parceiro/Agência O Dia

“A nossa luta é de formiguinha. Vivemos em um mundo onde violam os nossos direitos a todo momento. Quantas pessoas como nós ainda terão de morrer por conta da opção sexual? Precisamos mostrar a realidade, o quanto sofremos”, disse, com lágrimas nos olhos, Loren Alexandre, organizadora do evento.

Designer e militante, Carlos Tufvesson argumentou que a homofobia ainda não é combatida da forma como deveria: “A gente percebe o quão grave é esse problema quando vemos que a homofobia foi responsável pelo maior ataque a tiros na história dos Estados Unidos. Não podemos mais tratar a homofobia como algo sem importância”, disse.

“Outro dia, vi na televisão um pastor exorcizando um jovem por ele ser gay. O que uma mãe seguidora daquela religião vai pensar se vier a ter um filho gay? Ela não vai querer sentar na mesa do jantar com o ‘demônio’. As consequências são terríveis”, completou, afirmando que o Ministério Público deveria atuar com mais rigor nos casos em que meios de comunição são usados para disseminar a intolerância.

A Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco na noite de ontem de uma homenagem às vítimas do ataque. Com velas e faixas, diversas pessoas fizeram uma vigília pelos mortos do massacre.

O ato, chamado de Vigília pelas Vítimas de LGBTfobia, foi convocado pelas redes sociais e começou por volta das 18h. Os manifestantes carregaram as velas e faixas para o vão livre do Museu de Arte de São Paulo.

Cerca de 800 mil pessoas%2C segundo organizadores do evento%2C coloriram o Calçadão de Madureira Paulo Carneiro/Parceiro/Agência O Dia

Lamento presidencial no Twitter

Michel Temer e Dilma Rousseff usaram o Twitter para condenar o atentado em Orlando. “Quero lamentar enormemente a tragédia nos Estados Unidos que vitimou dezenas de norte-americanos. Expresso a solidariedade brasileira às famílias das vítimas desse atentado”, escreveu o presidente em exercício.

Dilma Rousseff também usou a rede social para manifestar apoio aos americanos. “Estamos vivendo momentos terríveis, tempos de preconceito e intolerância que ceifam vidas humanas. Vamos juntos lutar contra essa barbárie. Meus sentimentos às famílias das vítimas, ao presidente Barack Obama e ao povo dos Estados Unidos”, escreveu a presidente afastada.

A hashtag #PrayForOrlando (orem por Orlando) foi a mais usada por internautas ontem no Twitter.

Colaborou o estagiário Rafael Nascimento

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