HQ quer mostrar lado humano do policial militar

PM lança gibi eletrônico para humanizar a figura do policial e mostrar que o crime não compensa

Por O Dia

Rio - A viatura com dois policiais militares passa pela rua estreita de uma favela do Rio. A conversa entre os dois agentes é sobre o aniversário do filho de 4 anos de um deles. O policial que está no banco do carona acena para um menino que solta pipa. De repente, o veículo é alvo de tiros de criminosos. “Marginais estão nos atacando!”, gritam.

Trecho de uma das histórias do gibi da PM mostra policial baleado em serviço%3A bravura e desafiosReprodução

A cena ilustra o primeiro quadrinho da HQ ‘Rádio Patrulha’, feita pelo serviço de comunicação da Polícia Militar. Lançadas há 15 dias, as tirinhas estão disponibilizadas em forma eletrônica no site da corporação. “A HQ busca passar duas mensagens principais: mostrar o lado humano do policial e a ideia de que o crime não compensa”, disse o coronel Oderlei de Souza, roteirista das histórias.

Apaixonado por quadrinhos de heróis desde adolescente, o oficial teve a ideia de fazer a HQ como mais uma iniciativa de trabalhar a imagem da corporação com o público interno e a população. A página do Facebook da PM já tinha essa intenção, que, com linguagem jovial e descontraída, tenta abordar ocorrências positivas e abusa do uso de emojis (bonequinhos inseridos no texto), além de evitar discutir erros policiais ou violência.

“A imprensa sempre noticia fatos ruins, ocorrências que, por erro policial ou outro motivo, possuem efeito negativo. Entendo isso. A foto de um avião decolando não dá notícia. A de um caindo, sim. A iniciativa pretende mostrar esse outro lado”, disse o oficial. As próximas tirinhas terão o roteiro baseado em histórias reais a partir de julho, como um parto ocorrido dentro de uma viatura.

Para o especialista em Análise de Discurso e professor da Uerj Phellipe Marcel, que não teve contato com o material, as tirinhas poderiam mostrar também o lado negativo da polícia. “A campanha é uma boa iniciativa. Mas poderia da mesma forma lúdica apontar os erros policiais, além de apontar a humanidade que eles também devem ter em ações violentas”, analisou. 

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