Mãe de jovem morto em Costa Barros não sabia que PMs foram soltos

'É uma afronta à memória do meu filho e dos outros quatro meninos', diz Mônica Aparecida

Por O Dia

Rio - Mãe de Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, Mônica Aparecida foi pega de surpresa com a notícia de que os policiais militares envolvidos em chacina de Costa Barros receberam habeas corpus, nesta terça-feira. Seu filho e outros quatro jovens foram mortos após os PMs atingirem o carro com 63 tiros. Ao ser informada pela reportagem de O DIA, a mulher chorou e disse que decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) foi um "abuso".

"É uma afronta à memória do meu filho e dos outros quatro amigos que foram mortos. Isso vai acabar ainda mais com a minha saúde. É uma injustiça", afirmou Mônica.

Jovens foram fuzilados dentro de carroMarina Brandão / Agência O DIA

Na tarde desta terça-feira, o STJ concedeu liberdade a quatro PMs envolvidos na chacina. O pedido foi feito pelo advogado do PM Fabio Pizza Oliveira da Silva e foi estendido a Antônio Carlos Gonçalves Filho, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos. Em novembro do ano passado, cinco jovens foram atingidos por 63 tiros de fuzil dentro de um carro, no Complexo da Pedreira. 

LEIA MAIS

STJ concede habeas corpus a PMs envolvidos em chacina de Costa Barros

?Corpos de jovens fuzilados serão enterrados nesta segunda-feira em Irajá

Caso de jovens fuzilados entra em estatística alarmante de autos de resistência

Os PMs foram presos em flagrante por homicídio e fraude processual — quando há alteração da cena do crime. Os policiais acusados registraram o caso como auto de resistência, quando há morte em confronto com a polícia.

Relembre o caso

?Carlos Eduardo, Roberto de Souza Penha, 16, os irmãos Wesley Castro, de 25, e Wilton Esteves Domingos Junior, de 20; Cleiton Corrêa de Souza, de 18, morreram dentro de um carro quando saíam da comunidade da Lagartixa para fazer um lanche por volta de 1h, na Estrada João Paulo.

Pai de Roberto Penha, Jorge Roberto Lima da Penha disse que ele e os responsáveis legais pelos outros quatro jovens entrarão com uma ação coletiva contra o Estado do Rio. "Claro que vamos entrar com uma ação coletiva. Ela não vai trazer eles de volta, mas temos que fazer Justiça. Cadê as armas dos garotos? Eles não estavam armados. Quero a indenização por danos morais e materiais", afirmou, emocionado.

Feliz com o primeiro salário, Roberto saiu com os amigos para comemorar na noite daquele dia. Foram ao shopping, onde ele comprou um telefone celular, ao Parque Madureira e depois voltaram para casa. Mas, o jovem não teve tempo de usar o aparelho. Poucas horas depois, ele, os amigos acabaram sendo assassinados. O carro onde estavam pertencia a Wilton.

Últimas de Rio De Janeiro