Presos que comemoraram resgate de traficante são retirados do Rio

Foram transferidos para presídios federais, no início da manhã desta quarta-feira, 15 detentos que estavam custodiados no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu

Por O Dia

Rio - Quinze presos que estavam custodiados no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, foram transferidos para presídios federais fora do Estado do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira, em cumprimento a uma determinação do juiz titular da Vara de Execuções Penais, Eduardo Oberg, expedida nesta nesta terça-feira, conforme O DIA noticou com exclusividade.

Tio do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, Edson Pereira Firmino de Jesus, o Zaca, é um dos presos que foram transferidos. De acordo com o magistrado, de dentro do presídio, ele ordenou o resgate do sobrinho.

Presos são transferidos para presídios fora do RioReprodução / TV Globo

Os outros criminosos transferidos são Marcio Gomes Medeiros Roque (Marcinho do Turano), Marcelo Fonseca de Souza (Xará), Sandro Batista Rodrigues (Naiba), Aleksandro Rocha da Silva, (Sam da Caico), Paulo César Souza dos Santos (Paulo Muleta), Isaías da Costa Rodrigues (Isaías do Borel), Leonardo Carlos da Silva (Leo da Kelson), Davi da Conceição Carvalho (Davi do Chapadão), Marcelo da Silva Guilherme (Marcelinho do Prazeres), Wilson Ferreira Cardozo (Bacalhau), Eliezer Miranda Joaquim (Criam), Arnaldo da Silva Dias (Naldo), Carlos Eduardo Rocha Freire Barboza (Kadu Playboy) e Francisco Eduardo Freire Barboza (Chico da Ecatur).

Estes detentos ficarão em presídios de Catanduvas, no Paraná, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e outro no estado de Rondônia. Até a próxima sexta-feira, eles chegarão às unidades, onde irão cumprir um Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), ou seja, ficarão trancados 22 horas por dia, tendo direito a apenas duas horas de banho de sol.

Segundo Eduardo Oberg, gravações de áudio em comemoração pelo resgate de Fat Family recebidas pelo tio do criminoso dentro da cadeia evidenciaram a necessidade imediata de desarticular a quadrilha e seu constante monitoramento de modo rigoroso.

Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, nesta manhã, o juiz disse que, após fugir com Fat Family, os bandidos ligaram para seu tio, o Zaca, para avisá-lo que tinham obtido êxito no resgate de seu sobrinho. Na ligação, bandidos disseram ainda que "só faltaria ele sair da unidade".

O juiz criticou o sistema penitenciário fluminense e disse que as cadeias não funcionam. "São bandidos de altíssima periculosidade e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária não consegue controlar o que entra nas unidades. Há uma inépcia enorme da secretaria", disse.

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O juiz determinou que sejam abertos dez procedimentos investigatórios e de inquéritos na Delegacia de Homicídio (DH) e na Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) para apurar as denúncias de entrada de lanches na unidade na ocasião, além dos celulares, roteador de 8kg (que possibilitava comunicação via wi-fi livre na região) e munição encontrados.

“Diante da omissão da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, determino que cada um dos fatos narrados seja investigado. Os casos da munição e dos lanches, por exemplo, vão ser investigados pela 34ª DP, que é a delegacia responsável por aquela área”, disse o magistrado.

Festa na prisão 

A cúpula da facção criminosa Comando Vermelho fez festa dentro de Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste, assim que foi informada pelo aplicativo Whatsapp do resgate do Fat Family, na madrugada do último dia 19, de dentro do Hospital Municipal Souza Aguiar.

Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Militar realiza, pelo terceiro dia consecutivo, buscas por Fat Family e pelos criminosos que participaram do seu resgate. Policiais de 22 batalhões estão envolvidos. Eles vistoriam as principais favelas da capital, da região metropolitana e da Baixada Fluminense.

'Já passou da hora da guarda ser preparada para ser armada'

O Sindicato dos Servidores do Município do Rio (Sisep-Rio) culpa a Prefeitura do Rio pela morte no Hospital Municipal Souza Aguiar. Segundo Frederico Sanches, diretor jurídico do Sisep-Rio, o prefeito já devia ter armado guardas municipais para reforçar a segurança dos hospitais da cidade, como manda a lei 13.022/14.

“Se a Prefeitura cumprisse a lei 13.022/14, dando mais estrutura para o trabalho para a GM-Rio, teríamos mais segurança nas unidades de saúde. Já passou da hora da guarda ser preparada para ser armada”, afirmou.

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