Por tiago.frederico

Rio - A largada já foi dada há muito tempo. Mas os 58 mil taxistas do Rio permissionários e auxiliares estão diante da mais desafiadora corrida para atender bem os turistas nos Jogos Olímpicos. Para prestar o melhor serviço e faturar mais no período, todos estão em busca de maior qualificação, especialmente os 8,7 mil que não cumpriram a exigência da Secretaria municipal de Transportes (SMTR), que obrigou a categoria a passar por curso até 30 de abril. Agora, competem contra o tempo na reta final para poderem “se classificar” para a Olimpíada.

“Há cursos em andamento, que continuarão para os novos taxistas que ingressarem no sistema”, alertou, em nota, a SMTR, que instituiu a exigência para que os condutores possam aprimorar os serviços em relação ao trato com os clientes, direção defensiva, primeiros socorros, mecânica básica e elétrica, noções do Código Disciplinar Municipal e de informações turísticas. No site da secretaria (http://www.rio.rj.gov.br/web/smtr) há a relação de algumas empresas que aplicam cursos, presenciais e até a distância.

Jhonata Carlos fez curso no ano passadoEstefan Radovicz / Agência O Dia

O taxista G., de 35 anos, que circula pela Zona Norte, confessa que não deu a devida importância para a reciclagem da profissão e agora está preocupado. “Agora estou passando aperto, pois temo não conseguir vaga na última hora e ser perseguido pela fiscalização”, justifica.

Já Roberto Silva, 46 anos, conta que agendou treinamento. “Dei sorte. Vou pagar pouco mais de R$ 60. Tem curso que custa até R$ 300”, diz, esperançoso.

Outro taxista, Jhonata Carlos, 26, fez curso no ano passado. “Fiz a opção online por R$ 110 em uma semana”, explica Jhonata. Ele circula no Centro e, além de balas e água, se vale do talento de cantor sertanejo, para agradar a seus clientes. “Quando me reconhecem, dou uma palinha”, comenta Jhonata, orgulhoso por já ter cantado com Wesley Safadão e Daniel, e de ver seu clip ‘Uma Horinha de Motel’ bombando em seu canal no Youtube, com audiência de passageiros. Fazer a diferença positivamente é bom.

Além de balas e água%2C Jhonata se vale do talento de cantor sertanejo%2C para agradar a seus clientesEstefan Radovicz / Agência O Dia

Curso de línguas e aplicativos são itens fundamentais

Especialistas ouvidos pelo DIA aconselham que, além do conteúdo indicado pela SMTR, os motoristas de táxis aprendam a falar ao menos mais uma língua. “É fundamental. Dos cerca de 1 milhão de turistas que o Rio vai receber em agosto, 350 mil são estrangeiros”, justifica Leonardo de Azevedo, da Consultoria Taxista Nota 1000. Com o sócio Anderson Pessoa, ele criou o lema “Taxista: a qualificação é seu maior manifesto”, e uma metodologia que inclui o estímulo à adoção de aplicativos de tarifas e trajetos. No endereço www.txnota100.com, há orientações de locais e datas de cursos.

O professor de inglês da E-Ensino, Thiago Lopez, concorda que o taxista deva dominar mais uma língua. “Um bom curso ajuda a apurar o ouvido e a pronúncia. Mas, com pouco tempo, o jeito é aprender o básico do básico para não ficar a ver navios diante de um turista estrangeiro”, afirma Thiago. Ele dá dicas (no quadro ao lado) de algumas palavras que o taxista deve saber em inglês.

TESTE: Veja se você já está qualificado para atender aos turistas durante a Olimpíada

Daniel Granuzzo, gerente de Desenvolvimento do Serviço Nacional de Aprendizagens do Cooperativismo do Estado(Sescoop-rj), que aplicou cursos para 1,3 mil taxistas nos últimos nove meses, destaca a importância da limpeza e boa manutenção do carro. “Para não cair em rotas perigosas indicadas por aplicativos, o taxista deve prever e planejar bem os trajetos que irá percorrer”, orienta.

Engenheiro de Segurança do Trabalho da LCO Serviços e Treinamento e instrutor de autoescola, Marcos Roberto Modesto elaborou um teste para o taxista saber se está apto a prestar um bom atendimento nos Jogos Olímpicos. “Reciclagem é um aprendizado permanente”, opina.

Aula de reciclagem para taxistas no Serviço Nacional de Aprendizagens do Cooperativismo do Estado do RioDivulgação

Outra dica dos especialistas é que o taxista haja como se estivesse trabalhando em uma empresa, quando estiver ao volante. Nada de deixar os problemas afetarem a boa relação que deve ter com o passageiro.

Faturamento foi sinal de alerta

Pesquisa da Consultoria Taxista Nota 1000 identificou as principais razões para a queda no faturamento dos taxistas: engarrafamentos (59%), falta de qualificação e má reputação (21%) e o serviço do aplicativo Uber (10%). Críticas ao serviço já tinham sido captadas pelo presidente do Conselho Estadual dos Taxistas, José Bezerra, desde o ano passado, quando passou a recomendar qualificação urgente.

A maior parte dos taxistas passou a dar mais importância à qualidade e o serviço melhorou. Os clientes valorizam a educação, a higiene do carro e do condutor, a cobrança pelo taxímetro aferido, o respeito ao falar com o passageiros, entre outros detalhes. “Não gosto das cobranças ‘no tiro’”, atesta a arquiteta Mary Jardel de Pinho, de 35 anos.

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