'Se o estado não respeita, o bandido muito menos', diz presidente do Sindepol

Delegados aderiram à paralisação e pedem melhorias nas condições de trabalho. Falta até papel higiênico nas delegacias

Por O Dia

Rio - Delegados do Rio que aderiram à paralisação na manhã desta segunda-feira estão passando por situações precárias. Em algumas delegacias falta até papel higiênico. A segurança dos profissionais também é questionada. "Se o próprio estado não respeita o polícial, o bandido muito menos. Estamos sendo caçados pelos bandidos. A segurança está em xeque, tanto para os policiais quanto para a sociedade", desabafou o presidente do sindicato dos delegados Rafael Barcia. 

Segundo ele, falta uma investigação como a Lava Jato para acabar com a corrupção na instituição. "Falta investimento na polícia de inteligência. Não adianta montar blitz da linha vermelha para tentar prender os assassinos da médica (morta na via no domingo), porque eles vão cometer crimes na Linha Amarela. Gostaria de uma "operação Lava Jato" no Rio para passar a limpo a corrupção que se instalou na sociedade". 

Delegados e policiais civis fazem paralisação em busca de melhorias nas condições de trabalhoDivulgação

Um policial que não quis se identificar com medo da represália do estado contou que não está conseguindo pagar nem a conta de luz. "Daqui a pouco vou ficar às escuras. A escola do meu filho está atrasada e estamos passando vergonha. Minha família está passando vergonha por conta da mensalidade não paga".

Carta esclarece paralisação na Polícia CivilDivulgação

Segundo a delegada Monique Vidal, da 14ª DP (Leblon), o salário desse mês ainda não foi pago. "Só para avisar que faltam 4 dias para o final do mês de junho e ainda não recebemos a metade do salário! Ei essa é pra vc bravo do teclado que não para de jogar tudo de ruim que acontece nas costas da polícia. Pense bem ... se fez algo de bom ou se chama de "verme" pelas costas e não se importa com os assassinatos de centenas de policiais ...como se morrer fizesse parte do edital. E tem mais uma coisinha ... Não fizemos concurso para super herói (SIC)", demonstrou sua indignação da rede social Facebook.

As delegacias que aderiram à paralisação foram as da Barra, Recreio, Copacabana, Leblon, Botafogo, Centro, Campo Grande, Inhaúma, Comendador Soares, Niterói e São Gonçalo. Na delegacia de Inhaúma, depoimentos que já estão marcados estão sendo colhidos apenas para que as pesssoas não deem viagem perdida. A 17ª DP, que já tem um histórico de não aderir a paralisações, não abriu exceção. 

Segundo levantamento, o efetivo da Polícia Civil de 2016 é o mesmo de 1988, que dá um total de 10 mil policiais. Um estudo foi realizado em 2001 e mostrou que o efetivo mínimo de policiais no estado deveria ser de 21.500. 

Em nota, a Chefia de Polícia Civil disse que "entende que a reivindicação dos policiais civis é justa e devidamente motivada em razão das dificuldades enfrentadas por esses importantes operadores de segurança pública." Mas disse que a sociedade não pode ficar desprotegida da criminalidade.

A Chefia de Polícia está avaliando com os diretores gerais a adesão do movimento, combinando com estes que os delegados titulares vão avaliar as ocorrências e tomar providências para o registro e demais medidas legais necessárias para encarcerar criminosos presos em flagrante.

A Polícia Civil também disse que disponibiliza o serviço de registro online através do link https://dedic.pcivil.rj.gov.br/, bem como a Central de Atendimento ao Cidadão (CAC), pelos telefones (21) 2334-8823, (21) 2334-8835 e pelo chat https://cacpcerj.pcivil.rj.gov


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