Alunos fazem campanhas para doações nas calçadas dos colégios

Inspirados por uma iniciativa do Irã, estudantes recriam os 'muros da gentileza'

Por O Dia

Rio - No Rio, doações de roupas e acessórios vêm ganhando nova forma de beneficiar quem precisa. Inspirados por uma iniciativa do Irã, país da Ásia Ocidental, cariocas recriam os ‘muros da gentileza’, em que diversos ganchos e cabides são distribuídos nos muros com roupas disponíveis a quem necessita.

“Se você não precisa, deixe aqui. Se você precisa, leve”. Norteadas por esse ideal, as ações, já conhecidas na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), agora tomam outras proporções e invadem os colégios. É o caso da escola particular São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, em que, com menos de uma semana de inauguração, o muro já ganhou diversos doadores e beneficiários.

“Nas últimas semanas do outono, em que se fez muito frio, surgiu a ideia da professora de Sociologia, e nós, alunos, apoiamos. Aqui têm famílias privilegiadas e que podem ajudar os que realmente precisam. Me sinto muito orgulhoso”, contou o aluno do 3°ano do Ensino Médio Lucas Nocito.

Alegria e Cia expõe agasalhos doados na calçada. Quem precisa retiraJoão Laet / Agência O Dia

O estudante Luiz Guilherme Périssé, de 17 anos, além de aprovar, participou com doações. “Não ajudei a montar o muro, mas separei o que tinha em casa. Todo ano ganhamos roupas novas e quase nunca usamos. Agora, as roupas têm um destino”, comemorou.

Na escola Alegria & Companhia, em Vila Isabel, foram mais de 300 doações, das quais quase 100 já foram retiradas. As outras, de acordo com a dona do colégio, Eliana Alves Corrêa, serão doadas a instituições de caridade. “É uma forma de mostrar e praticar a cidadania”, apontou.

Escola pública participa

Maria Clara Barros é aluna da Escola Municipal José de Alencar. Estudante do 8° ano do Ensino Fundamental, ela ficou satisfeita com a nova adesão. “Já escolhi um novo livro para ler. A capa me chamou a atenção. Depois vou escolher um livro meu e trazer para continuar a corrente”, comentou.

A mãe de Maria Clara, Valéria Barros, também aprovou o muro. “Não tem vandalismo de saírem pegando tudo. Se todas as escolas fizessem isso, seria bacana para todos. Tem muito livro interessante”, opinou a moradora de Caxias, que gostaria de ver o projeto em sua cidade.

O inspetor Luciano Queiroz, que há 17 anos trabalha no colégio, se diz maravilhado com a iniciativa. “Faltava isso ao nosso colégio. Já fazemos projetos, e esse veio para somar.”

Reportagem dos estagiários Caio Sartori e Julianna Prado

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