Ativistas criticam falta de eficiência da polícia em apurar crimes contra LGBTs

Manifestantes fizeram protesto, nesta terça-feira, no Centro

Por O Dia

Rio - Ativistas fizeram uma passeata, na noite desta terça-feira, da Candelária até a Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio, em referência ao Dia Internacional do Orgulho LGBT. A manifestação ocorreu um dia depois da divulgação da morte de seis LGBTs em apenas uma semana no estado. Durante o ato, os manifestantes criticaram a falta de eficiência da polícia em apurar crimes contra LGBTs. O protesto chegou a interditar a Avenida Rio Branco, por volta das 18h30.

Os ativistas criticaram o pouco empenho da polícia em apurar crimes envolvendo LGBTfobia. Para o militante Thiago Bassi, os agentes de segurança pública não estão preparados para lidar com a violência contra homossexuais e transexuais. "Há uma falta de empenho em reconhecer que crime de ódio mata", disse ele. Ele relata que já teve dificuldades para registrar um crime homofóbico em uma delegacia da Zona Sul do Rio.

"Quando a gente foi à delegacia, a gente foi tratado como agressor e os agressores como vítima. Eles (os policiais) não querem enxergar que existe um crime de ódio. Falam que é outra coisa. Se mascara, se omite. Você tem que implorar na delegacia para que haja a notificação de homofobia no RO", completou Bassi, ativista do Tem Local, site que faz o mapeamento de locais onde LGBTs são vítimas de preconceito.

Na portaria da Polícia Civil do Rio de Janeiro publicada no dia 8 de fevereiro de 2012 em Diário Oficial ficou determinado que toda pessoas trans deve ter respeitado o nome social no Registro de Ocorrência. Ficou também assegurada a notificação de homofobia nos ROs em crimes de ódio contra LGBTs.  

Ativistas realizaram ato em referência ao Dia Internacional do Orgulho LGBT. Ato foi encerrado nas escadarias da CâmaraFelipe Martins / Agência O DIa

"Existe um preconceito institucional impregnado no Estado. A polícia que deveria investigar e punir não faz nada e tenta tirar a natureza lgbtfóbica do crime", disse a secretária para políticas LGBTs do PSTU, Marília Macedo. 

A travesti Evelyn Gutierrez relatou um episódio de omissão policial ocorrido em São Paulo. Apesar de conseguir juntar provas para a elucidação do crime, ela afirma que não houve qualquer empenho da Polícia Civil para apurar o caso. "Há dois anos atrás parou um carro com cinco menores e me deram muita porrada. Eu consegui  as imagens da câmera de segurança, consegui o número da placa, mas não adiantou, não deu em nada. Levei o caso à delegacia, mas não houve nenhum interesse da polícia em investigar, pelo contrário, sofri preconceito e fui motivo de chacota".

A travesti Evelyn Gutierrez conta ter sido vítima de descaso da políciaFelipe Martins / Agência O DIa

Durante a passeata na Rio Branco, os manifestantes fizeram uma contagem regressiva de 49 até o número 1, lembrando todas as vítimas do tiroteio na boate Pulse, em Orlando, Estados Unidos.  

"Falta investimento em educação", diz ativista trans 

O ato foi encerrado na Câmara de Vereadores. Nesta terça-feira, houve uma discussão do Plano Municipal de educação na Casa. Segundo os manifestantes, há uma ofensiva de fundamentalistas religiosos impedindo uma educação que respeite a orientação sexual e identidade de gênero. Para uma das principais ativistas LGBTs do país, a travesti Indianara Siqueira Alves, a falta de interesse do poder público em investir em educação pautada no respeito à orientação sexual e identidade de gênero tem ligação direta com o pouco respeito à população LGBT  no país.

Manifestantes fizeram protesto%2C na noite desta terça-feira%2C em homenagem ao Dia Internacional do Orgulho LGBTFelipe Martins / Agência O DIa

"As crianças continuam crescendo achando que LGBTS são errados. Essas crianças um dia vão se tornar médicos, advogados, delegados, e vão continuar discriminando porque a discussão não é pautada na educação pública", disse a criadora do Prepara Nem, curso voltado a travestis e transexuais preparatório para o ingresso no Ensino Superior e presidente da ONG Transrevolução.

"Tivemos 141 mortes de pessoas trans no Brasil em 2015 . A rua para nós LGBTs não é segura como para qualquer pessoa. Dentro de casa não é seguro como para qualquer pessoa. Muitas mulheres lésbicas sofrem o chamado estupro corretivo. As travestis são expulsas de casa desde cedo. São empurradas para a prostituição. E crescem marginalizadas pela sociedade. Se precisam procurar o serviço público de saúde, não são internadas nas alas conforme seus gêneros. A nossa luta diária é pelo direito de existir", completou Indianara, 


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