Moradores fazem campanha de doação de material para delegacia

Ação tem o objetivo de abastecer a 28ª DP com papel ofício para ocorrências, material de limpeza e até canetas

Por O Dia

Rio - A crise financeira que assola o Estado do Rio faz a Segurança Pública enfrentar problemas inusitados. A Polícia Civil foi atingida em cheio. Algumas delegacias não têm nem papel higiênico. Para remediar a situação, empresários de Vila Valqueire se mobilizaram para arrecadar doações para a 28ª DP (Praça Seca).

Nesta quarta-feira, os irmãos Luiz Claudio Leite, de 53 anos, e Marco Leite, de 48, donos de uma padaria na região, iniciaram a campanha ‘A 28ª DP pede socorro’. Eles estão arrecadando produtos que vão de caneta esferográfica a papel A4 para impressora, pano de chão, detergente, cloro, papel higiênico, sabonetes, baldes e outros produtos. Doações podem ser feitas na Padaria Ariel (Rua dos Lilases 1).

“É inadmissível chegar à DP e não ter papel para ocorrência. Os policiais precisam de um mínimo de estrutura para trabalhar. E nós precisamos dos policiais”, afirma Luiz Claudio. 

Pessoas que moram ou trabalham na região farão carreata para entregar os produtos aos policiaisMaíra Coelho / Agência O Dia

A ideia é encher dois utilitários Fiorino com o material arrecadado e entregar à delegacia no dia 10 de julho. Está sendo organizada uma carreata no bairro para entregar o material. “A população vai ajudar já que o governo faliu. O estado não faz, nós faremos”, diz Marco.

A campanha, que também mobiliza moradores da região, foi ampliada depois que Luiz Claudio, por pouco, não foi assassinado. O dono da padaria disse ter sido assaltado duas vezes. “Numa delas corri e o bandido atirou três vezes em mim. A arma falhou e estou aqui para contar a história. A nossa região está abandonada e precisamos da polícia.”

A campanha ‘A 28ª DP pede socorro’ deu início no Facebook ao Movimento SOS Valqueire, que reúne moradores e empresários do bairro. Síndica do condomínio Residencial Lilases, vizinho à padaria, Simone Souza, 52 anos, diz que a iniciativa de arrecadar insumos para a delegacia poderá ajudar na segurança. “Acho que os policiais vão se motivar mais.”

O vendedor Charles Maranhão, 38 anos, doou dois frascos de detergente. Segundo ele, se a delegacia não tiver um mínimo de estrutura ficará muito complicado para os agentes atenderem à população. “É uma vergonha não ter nem papel higiênico”, diz maranhão.

Chefe da delegacia, Paulo Mancebo diz ser válida a iniciativa. Segundo ele, mostra a preocupação da sociedade com a situação da Polícia. No entanto, ele avisou que esta não é a forma mais correta de ajudar.

“Em tese não posso receber o material. O ideal é entregar para a Chefia de Polícia para depois recebermos. Tem de ter ofício, ser tudo legal. Quem cuida deste setor é a Divisão de Patrimônio”, explica Paulo Mancebo, emendando: “Há delegacias que precisam mais do que nós. Fazemos de 25 a 30 ocorrências em média. Algumas fazem 60.”

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