Homem morto no Complexo da Maré sonhava em estudar para ser pastor

José da Silva, 40 anos, morreu em um tiroteio na comunidade Nova Holanda, nesta quarta-feira

Por O Dia

Rio - O ajudante de pedreiro José da Silva, 40 anos, foi morto nesta quarta-feira em um tiroteio na comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré, durante confronto entre bandidos e policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo o irmão da vítima, o taxista Tadeu da Silva, de 45, José havia deixado o trabalho e estava indo para a casa da irmã quando foi atingido.

"Ele chegou a se esconder atrás de um trailer mas, quando colocou o rosto para fora para ver o que estava acontecendo tomou um tiro no rosto. Ele morreu na hora", contou Tadeu. O taxista relatou ainda que o irmão foi morto às 15h, mas que ele ainda foi levado para o Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, onde só chegou às 20h30.

"Me disseram apenas que ele chegou com outros três feridos trazidos numa Kombi. Como assim deixam uma pessoa morta no hospital e ninguém pergunta nada. Assim, fica fácil matar as pessoas e deixar num hospital e ir embora", reclamou o Tadeu.

Ele contou que o irmão era analfabeto e estava querendo estudar para ser pastor porque havia acabado de entrar para a igreja. "Nos encontramos domingo e estávamos felizes. Ele era tranquilo, não se metia na vida de ninguém. Está tudo muito difícil. Trabalho na Zona Sul e até lá as pessoas estão reclamando da violência. Aqui, só pensam nas Olimpíadas e a população carente está morrendo", desabafou Tadeu.

José era casado e tinha seis filhos. A família ainda não sabe local e horário do enterro.


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