Justiça revoga prisão de policiais que forjaram cena de crime na Providência

Na ocasião, moradores flagraram o momento em que os PMs colocaram a arma na mão de um adolescente de 17 anos

Por O Dia

Adolescente morreu em auto de resistência forjado por PMs da UPPDivulgação

Rio - A Justiça do Rio revogou, na tarde desta quinta-feira, a prisão preventiva dos cinco policiais militares suspeitos de forjar uma cena de crime, no Morro da Providência, em setembro do ano passado. Na ocasião, um vídeo feito por moradores da comunidade flagrou o momento em que os PMs colocaram a arma na mão do jovem Eduardo Felipe dos Santos Victor, de 17 anos, que foi baleado.

Para o juiz Daniel Werneck, não havia mais necessidade de mantê-los presos, por eles serem réus primários. Além disso, o magistrado reforçou que não é possível presumir que os agentes não representem perigo à população.

Relembre o caso

Seria outro auto de resistência entre os muitos já registrados no Morro da Providência, no Centro do Rio. Na versão de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora do local, Eduardo seria um bandido que morreu após trocar tiros com os agentes em um confronto na manhã de segunda-feira. Mas a encenação dos PMs — que colocaram a arma na mão do jovem e fizeram dois disparos — foi flagrada por dois vídeos feitos por moradores. 

As imagens indicaram que quatro militares acompanharam a farsa, enquanto um quinto agente, vestindo uma camiseta branca e colete à prova de balas, atirou duas vezes com uma pistola, usando a mão do jovem junto à arma para deixar vestígios de pólvora. Antes disso, um militar ainda virou o corpo do rapaz, desfazendo o local do crime, o que não pode ser feito. Eduardo ainda estava vivo e gemia de dor, segundo testemunhas. Sem socorro, morreu no local.

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Os cinco policiais foram presos administrativamente por 72 horas pela Corregedoria da PM. Dois deles foram autuados em flagrante por fraude processual e levados para a Unidade Prisional da PM, em Benfica. Os outros três serão investigados separadamente em inquérito da Delegacia de Homicídios (DH) e podem responder por homicídio. 

Horas antes de serem presos, porém, os policiais registraram o caso na delegacia como auto de resistência (morte em decorrência de confronto) e apresentaram uma pistola calibre 9 milímetros, munição e radiotransmissor, que alegaram ter encontrado com Eduardo.

Nas gravações, um dos PMs parece pegar uma pistola, atirar para o alto e a entregar ao policial que está de camisa branca. Depois virar o rapaz caído, colocar a arma na mão dele e dar dois tiros. Durante o vídeo, moradores relatam o momento em que o adolescente se move. “O moleque levantou a mão e gritou: ‘Ai, ai, ai, para, para. Estava rendido. Que Deus o tenha, podia ser um filho meu. Essa é a UPP! A UPP fajuta!”, desabafou uma das pessoas que filmaram a morte de Eduardo. “Eu tô tremendo as pernas. Levantei no primeiro tiro e vi o moleque levantar a mão e se render. Deram à queima-roupa. Novinho ele, gente”, contou outra testemunha.


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