A arte para criar um caminho melhor

Programa da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude oferece recursos para jovens desenvolverem seus talentos em favor do território em que vivem

Por O Dia

Rio – Em busca de novas ferramentas para desenvolver e incentivar projetos artísticos no Rio, Rodrigo Vicente, de 26 anos, criou o MaknArt, que oferece oficinas de grafite e arte urbana para adolescentes e jovens entre 12 e 29 anos, no Jacarezinho. Ele é participante do Programa Caminho Melhor Jovem (CMJ), gerido pela Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, e, em 2015, foi um dos premiados pelo edital do Plano de Autonomia Territorial (PAT). "É um projeto feito por moradores e para moradores. Estamos mudando a cara da favela de dentro para fora", conta Rodrigo, que desenha desde criança, é pai de uma menina de 7 anos, e sonha se tornar designer gráfico.  

Na última edição do PAT, o Programa premiou 16 projetos de jovens, em sete territórios do CMJ, com R$ 12 mil cada. Este ano, o edital cresceu e vai abranger, até dezembro, 17 áreas com Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP) ou em processo de pacificação, e cada projeto receberá R$ 15 mil.

Rodrigo Vicente%2C de 26 anos%2C criador do MaknArt%2C no Jacarezinho Divulgação /MaknArt

O talento de Rodrigo começou a chamar a atenção quando ele trabalhava como auxiliar de limpeza em um condomínio, na Zona Norte, onde funcionava uma grande empresa programadora de televisão. O jovem estava sempre "rabiscando" em um caderninho de bolso, até que foi percebido por seus colegas que levaram os desenhos para uma equipe de designers da empresa. Lá, ele foi indicado para fazer um curso na área e aprimorou seu conhecimento. Porém, o que ele mais desejava era investir em arte dentro do seu próprio território.

"Eu já desenvolvia atividades artísticas particulares e sempre procurei parceiros no Jacarezinho, mas não acreditavam na minha ideia. Foi aí que conheci o Caminho Melhor Jovem e encontrei o suporte que procurava em outros lugares. Sou atendido há cerca de oito meses." 

Com a ajuda de conselheiros e tutores, os jovens do Programa têm o apoio de especialistas para atingir seus objetivos de curto, médio e longo prazos, a partir da construção de um plano de autonomia. Por meio de conversas e troca de ideias, o orientador indica os caminhos que o jovem pode seguir para desenvolver todo o seu potencial. O Programa oferece cursos de qualificação profissional, retorno escolar, encaminhamentos de emprego, passeios, sempre baseado no perfil e na vontade dos próprios jovens participantes.

"O aconselhamento me auxiliou a colocar ordem nas minhas ideias e a esclarecer muitas dúvidas", conta Rodrigo. Por isso, a conselheira Raquel Rodrigues destaca a importância do contato com um conselheiro especializado nesse tipo de atendimento. "O papel de todos os que acompanham os jovens é criar uma estratégia de ação”. Segundo Raquel, Rodrigo fugia um pouco do perfil dos jovens do Jacarezinho, porque já fazia grafite, sabia o que queria e entendia de Design. A grande questão é que apesar de sua criatividade, ele não sabia como potencializar suas ideias. “Como ele sempre me disse que seria ótimo se pudesse viver do grafite e das artes, nosso objetivo nos aconselhamentos era colocar um foco. Através do PAT conseguimos desenvolver a sua oficina, ele conheceu parceiros e assim surgiu o MaknArt", explica.    

Para o secretário Marco Antônio Cabral, "o Caminho Melhor Jovem tem sido um divisor de águas na vida dos jovens moradores de favela. Por meio do acompanhamento técnico, com assistentes sociais e psicólogos, a juventude fluminense está encontrando novas alternativas de vida. São histórias que emocionam e me dão orgulho”.

Sobre o edital, ele ressaltou que "iniciativas como o PAT, com a oferta de recursos para que os jovens concretizem seus próprios projetos de vida em seus territórios, são fundamentais. O Caminho Melhor Jovem se consolida, a cada dia, como um programa de empoderamento juvenil e o edital só vem a fomentar este conceito de diálogo com as juventudes", explica Marco Antônio.

MaknArt em ação

Atualmente, na sede da produtora Jacaré Moda, Rodrigo comanda a startup "Império Criativo", onde trabalha na construção de uma rede de parceiros com os jovens Wanderson Moreira de Brito e Ricardo de Souza Rocha Junior, para a formação da oficina. "O MaknArt é parte de um projeto maior, o 'Eu pinto minha Favela', que une potências ao redor do Jacarezinho", diz Rodrigo.  

Rodrigo Vicente, criador do projeto MaknArtDivulgação / MaknArt

"O que a gente quer é tornar o Jacarezinho perfeito para nós mesmos. Os moradores já nos procuram. Os alunos param, perguntam e levo para pintar junto comigo", conta.   A conselheira Raquel concorda: "acredito que instrumentalizar o que a galera já faz aqui e dar uma outra visibilidade para a juventude do Jacarezinho é a maior mudança e missão dele. O objetivo é potencializar as artes que já existem no território".   

De acordo com Rodrigo, o grafite vai muito além de uma arte no muro, ele se estende para outras manifestações que podem abrir caminhos para os jovens na sociedade.   "O MaknArt quer mostrar a funcionalidade do grafite na vida das pessoas".

Na sexta-feira, 24, foi inaugurada no Jacaré uma oficina para mostrar o grafite em diversos vieses da arte urbana, como na moda e no design gráfico, além de demonstrações de técnicas da pintura. "Nossa oficina é um projeto permanente para o território", afirma Rodrigo, lembrando que nunca havia participado de nada no Jacarezinho que tivesse continuidade no local. "Os moradores cobram aprender a arte dentro do próprio Jacaré. Agora o momento chegou", diz. 

Empreendedor, o jovem planeja organizar eventos de pintura – além do grafite -, fotografia, vídeo e apresentação de filmes. “O intuito é despertar as pessoas para o mundo da arte, em todas as suas formas", planeja.   Este ano, Rodrigo vai concorrer ao edital PAT novamente, mas com outra manifestação artística: uma roda de rimas.  “O PAT me deu a possibilidade de mostrar para os jovens do Jacarezinho que a arte tem o poder de transformar vidas. E é por meio dela que nós estamos aqui hoje”.

Para participar do edital basta ter entre 15 e 29 anos, ser morador de algum dos territórios atendidos pelo programa. Além do MaknArt, em 2015 foram contempladas mais 15 propostas para fomentar o desenvolvimento local nos territórios do Alemão, Borel e Formiga, Penha, Manguinhos e Maré.

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