Aplicativo da Anistia Internacional registra locais com tiroteios no Rio

Objetivo do dispositivo Fogo Cruzado é fazer um mapa das regiões que têm mais confrontos armados

Por O Dia

Rio - A Anistia Internacional lançou nesta terça-feira o aplicativo Fogo Cruzado, por meio do qual os moradores de regiões afetadas pela violência podem registrar os confrontos armados e suas consequências. O objetivo é fazer um mapa de onde ocorrem mais trocas de tiros e, dessa forma, pressionar as autoridades a adotarem políticas de segurança pública que respeitem os direitos humanos.

O aplicativo, disponível nas plataformas IOS e Android, funcionará em testes até dezembro. Ao presenciar e registrar incidentes, o morador informa a data, a hora e o local. Caso tenha mais detalhes, pode comentar se houve vítimas, se a polícia estava envolvida, etc. As postagens passam por análise e são publicadas em relatórios semanais, mensais e trimestrais, abertos a consultas no site fogocruzado.org.br.

“Queremos analisar principalmente os trimestrais, que são mais aprofundados e vão servir para avaliar os impactos da violência urbana”, explica a coordenadora de campanha da Anistia, Rebeca Lerer. Ela comenta que os dados fornecidos por moradores serão somados a informações de órgãos oficiais, imprensa, coletivos locais e outras fontes, como a SuperVia, que ajudarão a avaliar os impactos da violência no cotidiano da população.

São impactos como fechamento de escolas, creches e estações de trem. Ao coletar e constatar os principais, a Anistia pretende criar uma base para políticas de segurança pública. “Pelas informações, percebemos que cada região exige um plano específico, tem uma dinâmica diferente, depende da infraestrutura. O aplicativo é um ponto de partida, não de chegada”, aponta Rebeca.

“Foi uma triste coincidência sair a notícia de crianças no fogo cruzado no Alemão no dia em que lançamos o aplicativo”, comenta a pesquisadora e gestora de dados do Fogo Cruzado, Cecília Oliveira. O site usou matéria publicada no DIA para divulgar o aplicativo.

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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