TCE bloqueia R$ 198,5 milhões do estado para construtoras do Maracanã

Tribunal suspeita de irregularidades na reforma do estádio feita pela Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta

Por O Dia

Rio - Por unanimidade, os conselheiros Tribunal de Contas do Estado(TCE) do Rio de Janeiro aprovaram nesta terça-feira o bloqueio de R$ 198,5 milhões em repasses do Estado do Rio para as construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, por suspeita de irregularidades na reforma do estádio do Maracanã.

Contratada pelo governo do Rio, a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 estava orçada em R$ 705 milhões. Segundo o governo do estado, os gastos no projeto acabaram por consumir R$ 1,2 bilhão.
O relatório do conselheiro do TCE José Gomes Graciosa identificou pagamentos em duplicidade pelo governo, serviços desnecessários e sobrepreços na compra de materiais.

Em seu voto, Graciosa disse que o consórcio responsável pela obra também não revisou preços após desonerações fiscais conferidas pelo governo federal, o que teria gerado um ganho de mais de R$ 95 milhões para as construtoras.

A reforma do Maracanã estava orçada em R%24 705 milhões%2C mas o projeto acabou custando R%24 1%2C2 bilhãoDivulgação

A decisão de nesta terça-feira do TCE ocorre dias depois da divulgação de trecho da delação premiada de Clóvis Renato Numa Peixoto Primo, ex-dirigente da Andrade Gutierrez, na Operação Lava Jato.

Clóvis afirmou ter autorizado o pagamento de propina para o TCE no valor de 1% do contrato do Maracanã. Na mesma delação, ele também disse que pagou 5% de propina ao ex-governador Sérgio Cabral.

O governo do Rio divulgou nota em que “reafirma a lisura no processo de execução das obras de reforma do Maracanã” e diz que vai recorrer da decisão do TCE.

Segundo a nota, a reforma do estádio foi um “desafio de engenharia” e exigiu inúmeros ajustes técnicos. A Fifa também teria feito “inúmeras exigências adicionais” que aumentaram os custos da obra.

O TCE reuniu 26 processos sobre o contrato entre o Consórcio Maracanã e o Estado do Rio, que teve 16 alterações e passou por reajustes em quatro ocasiões. São processos que começaram a ser instaurados desde 2010 e que apenas começam a andar.

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